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"Inflação não ganha eleição"
Em entrevista à DINHEIRO, Henrique Meirelles diz que não é candidato e que só definirá seu futuro em março de 2010. Mas, em qualquer cenário, ele assegura que a estabilidade econômica estará preservada

Leonardo Attuch

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Renato Conde/O Popular/Folha Imagem

Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, é um equilibrista. Na vida empresarial, superou vários desafios, quebrou barreiras e foi o primeiro estrangeiro a presidir um grande banco nos Estados Unidos - o Fleet Boston. No governo, sobreviveu ao fogo amigo e às pressões de diversos setores da sociedade para que tentasse acelerar o ritmo da economia, antes que houvesse condições reais para isso. Meirelles resistiu e o resultado é um dos grandes trunfos do governo Lula. Um país sem inflação, com a menor taxa de juros da história, US$ 210 bilhões em reservas e uma economia que saiu rapidamente da crise internacional e que já pode crescer acima de 4% ao ano - ou até mais. Esse sucesso, naturalmente, permitiu que o presidente do BC acumulasse um razoável capital político. E na quinta-feira 13, quando, pela primeira vez, ele apareceu em eventos públicos ao lado do presidente Lula, a conclusão foi inevitável. Meirelles já havia colocado sua candidatura na rua - algo, na visão de alguns analistas, incompatível com a independência que seu cargo exige. Incomodado com as repercussões, Meirelles concedeu uma entrevista exclusiva à DINHEIRO.

E garantiu: não é candidato ainda, definirá seu futuro somente em março de 2010 e, enquanto estiver no BC, não tomará qualquer medida eleitoreira, que traga apenas benefícios de curto prazo. "Meu trabalho é baseado no resultado", disse ele. "Os fatos falaram, falam e falarão por si" (leia mais à página 46).
Pré-candidato ou não, Meirelles terá de se equilibrar entre o dia a dia no Banco Central e as percepções daqueles que já o enxergam como político - tanto os críticos, que pedirão sua saída, quanto os aliados, que vislumbram uma legítima possibilidade de poder. Impossível? Muitos acham que não. "O fato só gerou alguma estranheza porque é inédito e não tem jurisprudência", disse à DINHEIRO o economista Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central. "Meirelles foi um bom presidente do BC, continuará sendo enquanto estiver lá e, se quiser ser candidato, terá uma quarentena." Outros economistas que passaram pelo BC têm uma visão distinta. É o caso de Affonso Celso Pastore, também ex-presidente. "Se ele tomou a decisão de ser político, perdeu a qualificação de independência política", diz ele.

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