Banco de reservas Quem são os secretários-executivos que poderão se tornar ministros, com a proximidade das eleições
Luciana de Oliveira

Quando 2010 chegar, uma revoada de ministros se despede da Esplanada para se aventurar nas eleições. Dos 37 integrantes do primeiro escalão, pelo menos 17 deixarão o governo para a disputa do ano que vem. A lista começa com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e vai até o ministro da Aquicultura e Pesca, Altemir Gregolin.
Para arrumar a casa após a debandada, o presidente Lula já avisou que vai escalar o banco de reservas de cada Ministério, nomeando os secretários-executivos. No topo dos reservas está Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil e braço direito da ministra Dilma Rousseff, candidata de Lula para a Presidência da República.
Essa solução doméstica que deve ser tomada na Casa Civil facilita a vida do presidente, que já vem despachando com Erenice, quando Dilma está fora. Outros ministros, como Geddel Vieira Lima, da Integração, já estão preparando sucessores. No seu caso, que irá disputar o governo da Bahia, o futuro ministro será João Reis Santana Filho, que conduzia a Secretaria de Infraestrutura Hídrica do Ministério, responsável por um orçamento de R$ 12,5 bilhões em obras do PAC.
Santana é filiado ao PMDB e já ocupou diversos cargos na sigla. "Quando você consegue ser técnico e político ao mesmo tempo dá a moldura certa ao quadro", afirmou ele à DINHEIRO . O secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, também está próximo desse equilíbrio.
Ele chegou ao cargo em 2005, por indicação do então ministro R icardo Berzoini, e continuou com Luiz Marinho e o atual ministro, José Pimentel, deputado federal pelo PT do Ceará. Na última mudança, Gabas chegou a ser cogitado para o comando da pasta. Mas a experiência de 20 anos no serviço público não foi suficiente. Era preciso peso político.
Com a saída de Pimentel para disputar uma vaga no Senado, sua indicação para o cargo ressurge. Desta vez, com mais força. O ministro Tarso Genro vai deixar a pasta para concorrer ao governo gaúcho, e petistas se recusam a entregar o Ministério ao secretário-executivo Luiz Paulo Teles Barreto, funcionário de carreira há 26 anos, seis deles no cargo atual.
Um dos indicados do partido é o deputado federal José Eduardo Cardozo (PT-SP), mas Lula não quer abrir precedentes. No Ministério da Agricultura, há também focos de tensão. Os peemedebistas não estão dispostos a abrir mão do cargo para o secretário-executivo José Gerardo Fontelles, com mais de 40 anos de serviço público e na função desde maio deste ano.
Com a saída de Reinhold Stephanes para disputar a reeleição de deputado federal, Fontelles só fica no cargo se resistir à patrulha do PMDB. No Ministério dos Transportes, a movimentação do PR vai em sentido contrário.
Com o ministro Alfredo Nascimento deixando o cargo para concorrer ao governo do Amazonas, o partido tenta uma aproximação com o secretário Paulo Sérgio Passos. No cargo desde 2003, ele já assumiu a pasta durante a campanha eleitoral de 2006, quando Nascimento disputou uma vaga no Senado. Mesmo eleito, Nascimento voltou à Esplanada. Há casos também de ministros atuais que conseguiram o cargo substituindo o titular.
O do Turismo, Luiz Barretto, era o secretário-executivo de Marta Suplicy, que saiu para disputar a prefeitura de São Paulo, perdeu e não teve o posto de volta. O mesmo aconteceu com o ministro da Pesca, Altemir Gregolin, que substituiu José Fritsch e acabou ficando.
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