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Não me siga, estou perdido
Por Luiz Fernando Sá

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Paramount / The Kobal Collection
No Twitter há os Forrest Gumps da internet - têm seguidores, mas nem sequer sabem para onde vão

Antes de mais nada, uma confissão: não tenho blog, não possuo Twitter, não estou no Orkut, no Linked in, no Facebook. Aos olhos de muitos, posso ser um dinossauro, um ser fadado à extinção em um mundo cada vez mais tecnológico.

Prefiro me ver como um observador externo desses fenômenos da internet. Acredito mesmo que sobreviverei a todos eles e, definitivamente, não me recusarei a aderir a qualquer um deles, a qualquer momento, se julgar que compensa.

Quando se trata de evolução, creio no pragmatismo. Toda nova ferramenta pode ser usada, mas não pelo simples fato de estar surfando a mesma onda de todos. Importa é tirar o melhor proveito dela, fazer dela um verdadeiro instrumento de avanço.

Tuitar por tuitar (perdoem o neologismo) é perda de tempo e, logo algum instituto de pesquisas dirá, pode ser até improdutivo. Chega a ser assombrosa a maneira como muitas pessoas, em pleno horário de expediente, gastam minutos preciosos atualizando seus perfis no Twitter, descrevendo cada minuto de sua vida como se fosse o último, expondo detalhes desimportantes e, em casos extremos, até intimidades.

Na falta de vagas num reality show da tevê, encontram nas redes sociais sua chance de se transformar em protagonistas de suas próprias vidas, ainda que apenas narradas por si mesmos em suas próprias páginas. E, de quebra, têm a oportunidade de medir sua audiência, um ibope instantâneo, através do número de seguidores. É tudo muito tentador. Um dia você não é ninguém, em outro tem seguidores, como um líder espiritual.

Ou seria como um Forrest Gump da internet? O personagem do filme corria sem parar, puxando uma longa fila de (eis a palavra mágica!) seguidores. O primeiro não sabia por que estava correndo. Quem vinha atrás esperava que aquilo tudo tivesse um sentido, que um dia seria revelado. Um dia Forrest Gump parou, sem dar explicações. A turba se dispersou e ninguém ganhou nada com tanto esforço. Já aconteceu com a Wikipedia.

A outrora revolucionária enciclopédia livre online, que crescia com contribuições de qualquer mortal, hoje perdeu relevância e tem dificuldades para se manter. O Second Life, em que os usuários criavam personagens para viver uma nova vida no mundo virtual, tenta se reinventar para não sumir. Outros fenômenos da internet, Orkut e Facebook, ainda têm força, mas tendem a ser superados pelo modelo ligeiro e prático do Twitter.

Este, dentro de algum tempo, pode se deparar com algum sucessor, principalmente se não convencer pessoas e empresas de que é mais do que uma passarela eletrônica para desfiles de egos. Casos de uso inteligente da ferramenta estão disponíveis, mas nem sempre suficientemente reluzentes para não serem ofuscados pelo modismo. Tuitar da maneira certa não é simplesmente se expor, mas criar um canal de comunicação direta com públicos específicos, dando respostas rápidas a quem realmente lhe interessa.

Para as empresas, pode ser crucial. A companhia aérea britânica Virgin, por exemplo, descobriu que tuitar é o passatempo favorito dos passageiros desde que começou a oferecer acesso à internet em seus voos. Com programas que permitem monitorar o que escrevem a seu respeito na rede social, constatou que muitos desses clientes comentavam o próprio voo, nem sempre com elogios. E passou a usar o Twitter para interagir com eles.

Ficou notória a história da passageira que tuitava se queixando do preço das bebidas a bordo. O tuiteiro da Virgin agiu rápido. Conectou-se a outros internautas no mesmo voo e sugeriu: "Alguém estaria disposto a pagar uma bebida à colega?" A experiência foi única para todos e não custou um tostão à companhia.

Quanto valerá o Twitter dentro de alguns anos e quanto tempo ele durará depende, sobretudo, de como seus criadores conduzirão a tecnologia do terreno da novidade bacaninha para o da ferramenta realmente necessária. Por enquanto, ele está na primeira fase. E muitos usuários deveriam colar nos seus perfis aquele velho adesivo que se lia nos vidros traseiros dos carros: "Não me siga, estou perdido".

 

 


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