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Um lobby desastrado
Americanos tentam vender caças ao Brasil, ao mesmo tempo que instalam bases militares na Colômbia

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roberto castro/ag. istoé
Jim Jones: general disse que o receio brasileiro em relação às bases americanas é infundado

Era para ser uma demonstração do interesse do governo Obama em aprofundar os laços com o Brasil, reconhecendo a importância do País no cenário regional e global. Mas o conselheiro de Segurança Nacional da Presidência, James Jones, acabou desembarcando em Brasília em meio a uma polêmica sobre o uso de bases na Colômbia por militares americanos.

"Quem já foi mordido por cobra tem medo de linguiça", disse o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, a respeito da desconfiança do governo brasileiro sobre as intenções dos americanos no país vizinho.

E o motivo da viagem era outro: mostrar ao governo brasileiro que os Estados Unidos estão dispostos a permitir a transferência de tecnologia militar caso a americana Boeing vença a licitação do programa F-X2, para a compra de 36 caças para a Força Aérea. James veio acompanhado do subsecretário de Defesa para Aquisição, Tecnologia e Logística, Ashton Carter, e da subsecretária de Estado para Controle de Armas e Segurança Internacional, Ellen Tausher. "Estamos fazendo uma oferta sem precedentes", disse Ellen depois do encontro com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

"Mas não é apenas a transferência tecnológica para os aviões. Queremos aprofundar uma relação consistente com um aliado que é muito importante para os Estados Unidos", afirmou. Estima-se uma transferência da ordem de US$ 3 bilhões, num contrato de aviação que pode chegar a US$ 8 bilhões.

Essa oferta de produção de parte dos equipamentos pela Embraer e outras empresas brasileiras já estava incluída no documento encaminhado pela Boeing à Força Aérea, há algumas semanas, mas o governo americano achou que era melhor ter certeza de que os brasileiros estavam convencidos. Não deu certo. Foram recebidos com ceticismo, especialmente no Itamaraty.

Amorim citou o veto americano, em 2006, da venda de aviões Supertucano, da Embraer, à Venezuela, que acabou modernizando a frota venezuelana com Sukhois russos. Além da Boeing, estão na disputa para o F-X2 a francesa Dassault e a sueca Saab. Todas as empresas ofereceram parcerias relevantes com a Embraer. A diferença é que nem a França nem a Suécia estão instalando bases militares na vizinhança

 

 


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