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Um bilionário infeliz......e um feliz milionário
Mark Zuckerberg é rico, bem-sucedido e tem apenas 25 anos. Mesmo assim, o criador do Facebook leva uma vida burocrática

Roberto Namour e José Sergio Osse

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" Nunca fui apegado ao dinheiro "
Mark Zuckerberg, fun dador do Facebook
murillo constantino/ag. istoé

São Paulo, terça-feira, dia 4 de agosto, às 17h. Cerca de cem empresários brasileiros aguardam com ansiedade o encontro inédito com o fundador do Facebook, maior rede social do mundo.

Quase 40 minutos depois, sete seguranças entram no espaço e se posicionam estrategicamente pelos quatro cantos do salão. Timidamente, um jovem de 25 anos, cabelo desarrumado, de 1,70 metro de altura aparece em seguida.

Mark Zuckerberg poderia passar despercebido no meio da multidão se sua foto não tivesse rodado as páginas dos principais jornais no Brasil nos últimos tempos.

Dono de uma fortuna estimada em US$ 1,5 bilhão pela revista Forbes e de uma empresa avaliada em US$ 6,5 bilhões, Zuckerberg é um típico geek - o nerd que gosta de tecnologia. Quase nunca se separa do seu jeans, tênis e moletom.

Avesso a badalações, tem uma rotina burocrática. "Minha vida não mudou em nada desde os tempos da faculdade. Acordo de manhã, vou para o trabalho, fico até tarde e volto para casa. Nada de muito diferente", disse ele. Embora tenha uma fortuna no banco, sua casa não oferece nem um mínimo de conforto. Vive em apartamento alugado, cuja mobília se resume a um colchão no chão, duas cadeiras e uma mesa. "Nunca fui apegado ao dinheiro", afirmou.

Costuma ser o primeiro a chegar e o último a deixar a empresa, localizada no Palo Alto, no Estado californiano dos EUA. Enquanto jovens da sua idade só invadem a madrugada numa mesa de bar ou na companhia de uma mulher, Zuckerberg vara a noite na Hackathon, uma maratona para hackers que acontece uma vez por mês no Facebook. Sua vida pessoal é tratada com total discrição. Ninguém sabe se tem uma namorada. "O que importa para os geeks são coisas relativas à tecnologia. Eles se divertem em seu universo", diz Luciana Ruffo, do Núcleo de Pesquisa da Psicologia da Informação, da PUC-SP. Pela primeira vez no Brasil, o CEO da rede social veio lançar uma competição para desenvolvedores de aplicativos.

O número de usuários no País dobrou nos últimos três anos, totalizando 1,3 milhão de pessoas. Como todo turista, chegou a São Paulo no domingo e foi direto a uma churrascaria. Ciceroneado pelo brasileiro Rodrigo Schmidt, engenheiro do Facebook, até experimentou uma caipirinha. Mas o que fez sua cabeça mesmo foi a pizza de picanha que comeu no sábado. Depois, parou por aí. Nada de baladas ou mulatas do samba, que seduzem até os mais discretos estrangeiros.

Voltado inteiramente para o trabalho, voou para os EUA na quinta-feira. "Em avião separado da equipe", frisou Schmidt. "É para garantir que pelo menos uma parte de nós chegará bem." A vida ordinária que leva diaria-mente pouco tem a ver com sua postura no mundo virtual. Na internet, Zuckerberg mostra suas garras. Sua desenvoltura e genialidade no universo digital o fizeram criar, com menos de 20 anos de idade, dois sistemas que aguçaram o interesse de gigantes como Microsoft e Google.

Antes de entrar na faculdade, desenvolveu o tocador de mídia Synapse. Apesar de não ter feito tanto sucesso, recebeu diversos convites para trabalhar nas empresas do Vale do Silício, Nos EUA. Dois anos depois, lançou o Facebook, rede que foi traduzida para mais de 50 idiomas e tem hoje 250 milhões de usuários. Enquanto Zuckerberg insiste em dizer que a rede foi criada para as pessoas se conectarem com a família e amigos, uma versão mais apimentada da história pode, em breve, ganhar as telas do cinema.

Segundo a versão cinematográfica, com dificuldade para se socializar, o estudante desengonçado de Harvard teria criado o sistema para "azarar" as garotas - coisa que não conseguia fazer ao vivo. "A internet funciona para os geeks como uma máscara social. Na pior das situações, basta desligar o computador quando se sentir desconfortável", diz a psicóloga Luciana.

O filme será uma adaptação do livro Bilionários por Acidente: a criação do Facebook, um conto de sexo, dinheiro, ganância e traição, de Ben Mezrich, autor do best-seller Quebrando a Banca. A obra descreve um lado sombrio do fundador do Facebook. Na história, Zuckerberg invadiu o sistema de Harvard para capturar fotos de todas as estudantes do campus e criar um ranking baseado nos atributos físicos das alunas.

Embora a brincadeira quase tenha rendido sua expulsão da faculdade, o conceito serviu de base para o Facebook. Sua ousadia fez com se transformasse em um mito nos EUA. A partir daí, conta o livro, o protagonista entrou num circuito obscuro dos socialites americanos, com direito a orgias e jantares exóticos - como o de um iate em que o prato principal era um coala. Calma, nem tudo é verdade, já que a história foi parcialmente inventada, como o próprio autor revela. Mas ele não seria o primeiro geek a viver uma vida dupla na internet.

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