A conta real da usina de Itaipu No primeiro momento, o Brasil pagará mais ao Paraguai. Depois, eles podem até se arrepender
Luciana Oliveira

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Adriano Pires: especialista no setor elétrico diz que o Paraguai não será percebido pelas empresas nacionais como bom fornecedor
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Há pouco mais de duas semanas, autoridades brasileiras receberam uma enxurrada de críticas por cederem às pressões paraguaias pela mudança no preço da energia que vem de Itaipu. Especialistas do setor energético e oposição alardearam que vai sobrar para o contribuinte brasileiro a conta do acerto no qual o governo se dispôs a triplicar o valor pago pela parte que pertence ao Paraguai.
Ela saltou de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões ao ano. Os US$ 240 milhões são a ponta do iceberg de um plano mais ousado dos paraguaios. Eles querem faturar mais sobre a energia de Itaipu que comercializam com o Brasil. Para isso, insistem em deixar de vender parte da energia para a Eletrobrás a um preço fixo, definido em contrato, e comercializá-la no mercado livre brasileiro, a preços que variam toda semana.
Para o Brasil, a medida traz um efeito negativo imediato. Sem contar com a energia paraguaia para abastecer as residências, o governo será obrigado a recorrer às termelétricas, que custam mais caro e são poluentes. Para o Paraguai, as perspectivas também não são animadoras, embora as autoridades locais acreditem no contrário. "Não há garantia de que os paraguaios vão conseguir vender no mercado livre.
Não são confiáveis como fornecedores", disse à DINHEIRO o diretor da Câmara Brasileira de Infraestrutura, Adriano Pires. "Eles são inexperientes e ninguém vai querer comprar energia do Paraguai em dólar", diz o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Nivalde Castro. Por isso, eles acham que num segundo momento o preço pode cair, quando ficarem prontas as várias usinas que estão em construção no Brasil, aumentando em 30% a capacidade instalada nos próximos quatro anos.
Nesta hora, o Paraguai deve fazer o caminho de volta e tentar renegociar, mais uma vez, com o Brasil. Depois de anos de reclamações contra os preços negociados no contrato, os paraguaios podem perceber que, afinal, o Brasil era um bom cliente
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