Crítica e autocrítica O estilista Carlos Miele, dono da M.Officer e de outras grifes, faz um raro mea-culpa de sua gestão e busca um líder para sua empresa
Por Carlos Sambrana

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| Carlos Miele: "A administração é o nosso calcanhar de aquiles" |
A crítica internacional o reverenciou ao comentar suas criações. "Ele transita entre a austeridade e a exuberância", disse Virginie Mouzart, do francês Le Figaro. "Dificilmente algum look passou sem ter um extraordinário trabalho manual", decretou Suzy Menkes, do International Herald Tribune. Na última conferência internacional do mercado de luxo, a 5ª edição da Financial Times Business of Luxury Summit, que aconteceu em Montecarlo e da qual participaram titãs da indústria como o francês Bernard Arnault, dono do conglomerado LVMH, sua grife foi apresentada como a "challenger brand" (marca desafiadora, numa tradução livre). O estilista Carlos Miele, 45 anos, ainda foi convidado para assumir o posto de diretor de criação da italiana Pucci - pedido negado -; possui lojas em Nova York e Paris; veste divas como a atriz Eva Longoria e as cantoras Jennifer Lopez e Beyoncé, entre outras; e ainda é dono de um conglomerado que reúne 146 lojas da grife M.Officer, que, de acordo com estimativas de mercado, fatura cerca de R$ 300 milhões. Nesse mundo fashion, no qual os egos são inflados ao quadrado, Miele poderia dizer que é o cara. Ele, porém, calçou as sandálias da humildade e fez um mea-culpa.
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| Loja da grife mais exclusiva do grupo fica no descolado bairro de Meatpacking District, em Manhattan |
"O nosso calcanhar de aquiles é a administração da empresa", revelou com exclusividade à DINHEIRO. "Nos últimos oito anos, fiquei 70% do meu tempo nos Estados Unidos, longe dos negócios, e os líderes da minha empresa se acomodaram. Criaram-se ilhas de poder que nos deixaram muito atrasados em processos de gestão."
É raro, quase impossível, encontrar um empresário que assuma os erros publicamente. O estilista não só fez isso como tenta encontrar meios de recuperar terreno. Na terça-feira 28 de julho, ele se reuniu com toda a diretoria em seu escritório na loja do shopping Cidade Jardim para pôr todos a par das mudanças na empresa. "Estou procurando um coach e também um líder", diz. As mudanças dentro da companhia já começaram. "Para você ter uma ideia, só agora estamos implementando um software de gestão que todo o setor de moda usava há anos." Outra medida que Miele pretende tomar é mudar as políticas dentro da empresa. "Sempre promovíamos os que tinham mais tempo de casa. Meus líderes não treinaram sucessores e isso foi ruim demais, poderíamos estar melhor hoje. Por isso, vamos implantar a meritocracia, coisa que a AmBev faz há tempos." O que pode parecer uma questão isolada é um problema mais comum do que se pensa dentro das organizações. "Quando o dono fica muito tempo fora e não tem um sucessor, a empresa fica acéfala. E, se os executivos focam apenas no dia a dia, esquecem de enxergar no longo prazo", diz João Mendes de Almeida, sócio da Vicky Block Associados, consultoria especializada em gestão e liderança.
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