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Humberto Gómez Rojo, presidente da Bridgestone
"O Brasil deixou de ser parte do resto do mundo"
Por Hugo Cilo

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SAMIR BATISTA/AG.ISTOÉ

O mexicano Humberto Gómez Rojo, presidente da Bridgestone Firestone do Brasil, conhece como poucos a economia da América Latina. Há quase três décadas vive rotinas distintas no continente. Comandou subsidiárias da maior fabricante de pneus do mundo no México, na Venezuela e Costa Rica. Há dois anos em território brasileiro, e com essa experiência na bagagem, achou que já tinha visto de tudo. Quase tudo. O surpreendente desempenho do Brasil na crise e os recordes do setor automotivo ensinaram a ele algo novo: "Vi que o Brasil mudou rápido de lado. O País deixou de fazer parte do 'resto do mundo', dos países atrasados", disse ele à DINHEIRO, da fábrica de Santo André (SP), a maior da companhia fora do Japão.

DINHEIRO - É consenso que a redução do IPI turbinou o desempenho das montadoras. Isso influenciou o setor de pneus?
HUMBERTO GÓMEZ - De imediato, não. Ficamos surpresos com o resultado do IPI na economia real e animados com a repercussão positiva. Mas os resultados começarão a aparecer daqui um, dois ou três anos, quando os automóveis que estão sendo vendidos hoje começarem a trocar os pneus. A influência não é imediata porque 25% da produção abastece as montadoras. Cerca de 50% vai para o mercado de reposição e 25% segue para o Exterior.

DINHEIRO - Então, o ano não está tão bom quanto para as montadoras?
GÓMEZ - Não está ruim. Está abaixo de 2008 porque houve uma queda geral da economia. Mas existe a possibilidade de 2009 fechar igual ao ano passado. Depende do segundo semestre.

DINHEIRO - O governo agiu bem?
GÓMEZ - O Brasil foi realmente um dos poucos que deram muita atenção para evitar a crise. Agiu de forma correta. O mercado está se recuperando. Longe do ano passado, mas está se recuperando. Pode ser possível comparar o crescimento percentual de 2009 ao de 2008, mas serão períodos muito diferentes. A venda de carros no mercado interno está melhor ou igual a 2008. A classe média está crescendo. As vantagens aqui são os juros e os prazos, o que não ocorre em muitas outras economias.

DINHEIRO - Dá para apostar na continuidade do crescimento?
GÓMEZ - Fico um pouco preocupado quando há grande oferta de crédito, sem um crescimento proporcional da economia. Quando se compra um carro em 60 meses ou em 84 meses, surgem dúvidas em relação à capacidade de pagamento no futuro. Mas, por enquanto, tem funcionado.

DINHEIRO - Dirigir a Bridgestone no Brasil é diferente de outros países?
GÓMEZ - A economia do Brasil é muito grande, maior do que nos outros lugares em que atuei. A companhia aqui tem 50% do faturamento da América Latina. O México, segundo colocado, responde por 30%, mesmo atendendo o mercado americano, que recebe veículos montados com pneus nossos. Em termos de tamanho, aqui é diferente e tem peculiaridades, sim.

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