Virada de mesa Os garçons brigam com os donos de restaurantes para aprovar uma nova lei da gorjeta. Até lobista entrou no meio da disputa
Carolina Guerra

Sabe aquela gorjeta que as pessoas deixam no restaurante? O que pode parecer, com o perdão do trocadilho, café pequeno é alvo de uma grande disputa. E bota grande nisso! Os 900 mil restaurantes e bares do País movimentam uma média de R$ 2 bilhões ao ano com os famosos 10% de serviço. A questão é que garçons e restaurantes estão brigando por esse dinheiro. Uma turma quer aprovar e a outra planeja barrar um projeto de lei do deputado federal Gilmar Machado (PT-MG) que pretende incorporar a gorjeta ao salário dos garçons. Se aprovado, os restaurantes terão de pagar encargos trabalhistas como INSS, fundo de garantia, 13º e férias também sobre os 10% de serviço.
Trata-se de uma discussão que pode ser indigesta para ambos os lados. Para os garçons a institucionalização da gorjeta significa receber menos agora e obter uma aposentadoria melhor no futuro. Já para os restauranteurs a novidade significa aumento de impostos. No mês passado, o projeto de lei passou pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, em Brasília, dando indícios de que seria aprovado. Diante da iminência da mudança de regra, representantes de sofisticados restaurantes paulistanos como o Antiquarius, Bela Sintra, D.O.M., e associados da Associação Nacional dos Restaurantes (ANR) se reuniram, na casa Fasano, em São Paulo, no começo do mês, para decidir o que fariam. A saída foi contratar os serviços de um lobista. O escolhido foi Umbelino Lobo, que tem como clientes a Femsa e a Nokia, entre outros.
Ao que parece, surtiu efeito. Os representantes dos restaurantes conseguiram que mais de 200 deputados assinassem para que o projeto fosse discutido novamente na Câmara dos Deputados antes de ir para o Senado. Conseguiram, de certa forma, engavetar a questão, uma vez que existem mais de dois mil outros projetos na pauta da Câmara. "Não sou relacionado ao setor de restaurantes, mas quis fazer uma justiça em nome dos garçons que não recebem gorjeta", diz o deputado Gilmar Machado.
Força-Tarefa:
representantes dos donos de restaurantes como o Antiquarius (acima à esq.), Fasano (acima à dir.) e o dono (à dir.) do Era uma vez um chalezinho são contra |
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