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Os juros descem, as ações sobem
Como o novo presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, está conseguindo conciliar a demanda do governo por taxas baixas e a dos acionistas por altos retornosorma?

Denize Bacoccina

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Roberto Castro/ag. Istoé
Aldemir Bendine

Em sua nova fase, o Banco do Brasil está conseguindo uma coisa rara para uma empresa de capital misto, listada na bolsa de valores e controlada pelo governo: ao cumprir uma ordem do presidente Lula para reduzir a taxa de juros e irrigar a economia com crédito, o BB conseguiu também aumentar o valor das ações – a valorização de 58% em 2009 é a maior entre os bancos brasileiros –, beneficiando os investidores que não estão interessados em fazer política econômica, mas apenas em remunerar seu capital. Os números do segundo trimestre, que serão divulgados em agosto, também devem mostrar que o banco ganhou participação no mercado de crédito. No primeiro trimestre, tinha 18,3%, com uma carteira de r$ 254 bilhões. Com isso, ganha ainda mais fôlego para cumprir a ordem do presidente de liderar o mercado brasileiro na redução dos spreads cobrados dos clientes. “O banco fez um movimento indutor muito forte em maio e junho. E foi seguido pela concorrência”, afirmou à dinheiro o presidente do Banco, Aldemir Bendine (leia sua entrevista ao lado).

Antes mesmo da última rodada de redução da taxa Selic, que reduziu o juro básico de 9,25% para 8,75%, o Banco do Brasil havia diminuído suas taxas para os clientes entre 7% e 30% entre fevereiro e junho. No mesmo período, a Selic caiu 28%. Ou seja, embora o consumidor já esteja pagando menos pelos financiamentos bancários, o spread ainda não caiu. Bendine acha que o movimento de juros vai levar à diminuição dos spreads tão logo o mercado se adapte à concorrência. Embora os dados dos bancos do segundo trimestre ainda não estejam disponíveis, os número do Banco Central mostram que os bancos públicos lideraram a ampliação da oferta de crédito. Entre setembro do ano passado e maio deste ano, a proporção do crédito em relação ao PIB aumentou de 38,7% para 43%. A parcela dos bancos privados aumentou de 17,2% para 18,1% neste período, enquanto a participação dos bancos públicos subiu de 13,2% para 16,2%. “O que mais está crescendo é o crédito consignado, e ele é concentrado nos bancos públicos, por isso é que estão crescendo mais”, diz o economista fabio Silveira, sócio da RC Consultores. O economista-chefe da federação Brasileira de Bancos (Febraban), rubens Sardenberg, acha que, além da liderança dos bancos públicos, a maior oferta de crédito e a redução dos juros são resultado da maior concorrência no mercado, com a reativação do mercado de capitais e a retomada da economia. “A movimentação do Banco do Brasil pode ter influenciado o mercado como um todo, mas, se o cenário não tivesse melhorado, isso provavelmente não teria acontecido”, disse à dinheiro.

O aumento do crédito não é a única novidade no Banco do Brasil. Seguindo outra orientação do presidente Lula, o banco vai nos próximos meses reforçar sua atuação internacional. Está esperando autorização para atuar como banco de varejo nos estados unidos, quer ampliar a ação no Japão e entrar na África, os principais parceiros comerciais do Brasil na América Latina e China, seguindo a nova geografia comercial brasileira. O outro plano é reforçar a atuação no setor de seguros, que hoje contribui com menos de 10% do resultado do banco, com reformulação das parcerias nas cinco empresas em sociedades com a Sul America e outras empresas, privilegiando o aumento da participação societária. “O banco do Brasil ainda não é eficiente nesta área”, analisa Bendine. O Banco está se preparando também para a forte expansão do crédito imobiliário, sem tomar espaço da Caixa Econômica Federal. O funding de R$ 1 bilhão reservado para este ano deve ser totalmente aplicado e pode ser ampliado se houver mais procura. “Por enquanto, estamos tendo procura de construtoras, mas logo devemos ter demanda de clientes”, diz o presidente do banco.

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