Pedra sobre Pedra Saída de altos executivos revela mudanças profundas no Citibank do Brasil. Até onde vai essa reforma?
Márcio Kroehn

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Ricardo Lacerda ainda pode ser encontrado na avenida Paulista, 1.111, a sede do Citibank em São Paulo. Mas não por muito tempo. O responsável pelo banco de investimentos no Brasil e na América Latina está se despedindo. A data de sua saída ainda não foi divulgada, mas em agosto suas gavetas já devem estar vazias. Na primeira quinzena de junho, Lacerda comunicou sua decisão a Gustavo Marín, presidente do Citi no Brasil. Naquele momento, fechou-se a última ponta de uma reestruturação nos principais cargos. As mudanças atingem as áreas de atacado e de varejo. Ao todo, seis altos executivos deixaram o Citi nos últimos nove meses. O banco nega qualquer semelhança com a dança das cadeiras na matriz americana, que recebeu socorro financeiro do governo e luta para se reerguer. A versão oficial é de que as saídas dos profissionais foram movimentos naturais de mercado. O fato é que o nono maior banco em ativos do País, com R$ 47,8 bilhões, entra no segundo semestre com um time renovado. O que isso realmente significa?
Uma hipótese é que Marín esteja apostando na renovação das lideranças para sacudir a instituição e mostrar bons números ao chefão, Vikram Pandit. No primeiro trimestre deste ano, o lucro local de R$ 1,6 bilhão foi conseguido pela venda da totalidade das ações do banco na Redecard, empresa do setor de cartões de crédito. Sem isso, o número teria sido de R$ 74,3 milhões. Geralmente, executivos com muito tempo de casa ganham salários mais polpudos, têm benefícios mais custosos e muitas vezes estão pouco estimulados a reverter um resultado ruim. Quem chega quer mostrar serviço. "Os jovens querem ficar marcados por fazer o Citi virar o jogo", diz uma fonte, que acompanhou a movimentação de perto. "O problema é que o banco parece sem rumo e sem liderança", completa. Marín quer mudar essa percepção e aproveitar o bom momento do setor bancário no Brasil, que se mostrou mais resiliente na crise de crédito mundial e tem boas perspectivas para o varejo.
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