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Dinheiro em ação
Por Milton Gamez

PAPÉIS AVULSOS

Caio Auriemo,
fundador da Dasa

Os donos da voz

A lenta modernização do capitalismo brasileiro deu mais um passo na quarta-feira 15. O fundador da Diagnósticos da América (Dasa), Caio Auriemo, passou adiante a participação remanescente da família na empresa, em leilão na Bovespa. Auriemo colocou à venda 10,45% do capital e teve sorte. A operação foi feita num dia de forte alta na bolsa – o Ibovespa subiu quase 5% –, o que criou um clima de disputa e elevou a cotação das ações ordinárias para R$ 36,01, acima dos R$ 35,00 que pretendia receber do comprador inicial, a gestora de recursos Tarpon. Ao final, o empresário recebeu R$ 216 milhões. Sua saída representa a vitória dos acionistas minoritários ativistas na guerra de nervos que começou em 1999 com a entrada do fundo Pátria Investimentos. Descontentes com a gestão de Auriemo, que contratava serviços de outras empresas da própria família, os minoritários se reuniram e pressionaram por sua saída. Ele entregou o bastão executivo em 2005 e este ano perdeu a presidência do conselho de administração para Alexandre Saigh, do Pátria. Outros minoritários influentes nesse processo foram o Credit Suisse Hedging Griffo e o HSBC, além da Fundação Vale do Rio Doce de Seguridade Social (Valia). Essa tendência, ao que tudo indica, veio para ficar. Quanto mais as empresas pulverizam o capital na bolsa, mais os donos tradicionais perdem a voz para os minoritários, que privilegiam o retorno do capital e a sustentabilidade dos negócios. “Os sinais são auspiciosos”, diz Marcos Duarte, sócio da Polo Capital.


DESTAQUE NO PREGÃO

A bolsa na mira do Fator

Até onde vai o fôlego da bolsa? Na semana passada, o Ibovespa escorregou para 48.872 pontos e depois voltou a roçar os 52.000 pontos, numa oscilação de deixar os investidores incautos de cabelo em pé. Tudo bem – o importante é que os investidores estrangeiros voltaram a apostar no Brasil e os negócios esquentaram na BM&FBovespa. Tanto que a ação da própria bolsa (BVMF3) disparou e acumula alta de 105% no ano até quinta-feira 16, quando fechou a R$ 12,09. O presidente da empresa, Edemir Pinto, não pode se queixar. Apesar da crise financeira global, a receita líquida cresceu 16,4% em 2008 e a margem Lajida subiu 5,1 pontos percentuais, para 68%, apontou o primeiro relatório do Banco Fator sobre a companhia.

PALAVRA DE ANALISTA

Jacqueline Lison e Gustavo Mendes Lôbo começaram a cobertura de BM&FBovespa com uma recomendação de compra. Para os analistas do Fator, o preço-alvo do papel para junho de 2010 é de R$ 16. O potencial de valorização, portanto, é de 32% sobre o fechamento de quinta-feira 16. “O principal ponto de nossa tese de investimento é a expectativa de forte crescimento por meio da expansão dos volumes transacionados tanto no segmento Bovespa quanto BM&F”, escreveu a dupla em 13 de julho. O aumento da capitalização de mercado, a maior velocidade do giro das ações e o incremento no volume de contratos negociados são os pontos fortes da bolsa.


TIM
Especulou, dançou

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) jogou água fria na especulação com as ações ordinárias da TIM Participações (TCSL3). O papel caiu 22,7% na quinta-feira 16, depois que o xerife do mercado não obrigou a maior acionista da TIM, a italiana Telco, a fazer uma oferta pública aos minoritários com direito a voto na operadora brasileira. Em janeiro, parecer da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários da CVM recomendou a OPA e as ordinárias subiram 30%. Mas agora o colegiado votou contra a decisão, por três votos a dois, e os preços foram corrigidos. Quem comprou na alta, dançou. O presidente da Tim Brasil, Luca Luciani, não comenta a vitória dos italianos. Em princípio, a Telco teria uma despesa de R$ 1,4 bilhão, se tivesse perdido a causa.



QUEM VEM LÁ
Captação sabonete

A Natura vai fazer uma oferta pública secundária de ações. É esperada uma captação entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,5 bilhão. Um bom dinheiro para investir, certo? Errado. Como não são novos papéis que estão sendo emitidos, todo o dinheiro captado vai diretamente para o bolso dos sócios controladores. Dos 48,3 milhões de ações, de 10% a 15% serão para os pequenos investidores, que poderão fazer suas reservas entre os dias 28 e 29 de julho no valor mínimo de R$ 3 mil. Nos fatores de risco, a partir da página 79 do prospecto, atenção ao valor total das 158 ações tributárias que a Natura responde na Justiça. São R$ 455,8 milhões, mas somente R$ 87,3 milhões estão provisionados. O preço inicialmente previsto por ação é de R$ 26,30, mas o martelo final será batido no dia 30 de julho. O papel fechou a R$ 27,88 na quinta-feira 16 e a tendência é de o mercado ajustar os dois preços

FIQUE DE OLHO: A Gafisa cancelou sua oferta pública de ações, na qual pretendia levantar R$ 700 milhões. E não explicou os motivos.

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