Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senn
"Para melhorar o PIB é só mexer na educação" Por Márcio Kroehn

A educação é o combustível da empresária Viviane Senna. A presidente do Instituto Ayrton Senna começa seu dia às nove horas e dificilmente termina antes das 20 horas. Todo o seu esforço é para encontrar maneiras de melhorar a gestão e a qualidade do ensino brasileiro. Só com mão de obra qualificada é possível pensar em boa distribuição de renda, em desenvolvimento econômico, defende. Apesar de 97% das crianças frequentarem as salas de aula, poucas conseguem concluir os 11 anos de ensino fundamental e médio. “O Brasil perde as crianças pelo caminho”, lamenta Viviane. Em 15 anos, o instituto atendeu 11,6 milhões de estudantes por meio de parcerias com as redes públicas municipais e estaduais de educação. O investimento foi de R$ 203,4 milhões. Ela falou à DINHEIRO:
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“A escola pública já foi boa porque era para nós, a elite. Construímos um País para 10%”
43 milhões de crianças estão nos ensinos básico e fundamental |
DINHEIRO – Como avaliar o nível educacional brasileiro?
VIVIANE SENNA- A má qualidade de educação é o exterminador do futuro da criança brasileira. De cada dez que entram na primeira série do ensino fundamental, só três terminam o ensino médio. Em 11 anos, perdemos 70% das crianças. É como se um trem da Vale deixasse Carajás carregado de minério e só chegassem 30% da carga ao porto. Em educação, a carga é o principal capital do País, que são as pessoas. Perder 70% das crianças é jogar fora essa população. O Brasil perde as crianças pelo caminho.
DINHEIRO – Esse trem está descarrilado?
VIVIANE – Temos 43 milhões de alunos nos ensinos fundamental e médio – é mais que uma Espanha. Se colocássemos as crianças dentro do trem, demoraria 247 anos para chegar ao destino final. E, no meio do caminho, essas crianças vão pulando: 20% descem após três anos e meio, sem concluir a quarta série. Isso significa que descerão em um país equivalente à Tanzânia, cuja população média tem, no máximo, quatro séries de escolaridade. Outros 20% descem com quatro anos e meio de escolaridade. É como no Haiti. Os próximos 20% vão desembarcar na Argélia, após cinco anos e meio. A escola é tão ruim que os alunos patinam anos na mesma série.
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