Um time sem conjunto Lula distribuiu camisas da seleção aos líderes do G-8, mas os jogadores não se entendem sobre como solucionar a crise
Por Denize Bacoccina

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Uma equipe sem entrosamento:
líderes das maiores economias do planeta voltaram a se reunir, posaram para fotos e trocaram sorrisos. Mas não houve ideias novas no combate à crise, nem nas questões ambientais. Restou falar de futebol, como fizeram Obama e Lula
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Em meio aos tremores que ainda chacoalham Áquila, cidadezinha no interior da Itália destruída por um terremoto em abril, líderes do G8, G5 e mais meia dúzia de países conseguiram mostrar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha razão quando disse que a cúpula não serviria para muita coisa. As camisas entregues por Lula aos colegas garantiram piadinhas e sorrisos de agradecimento, mas não foram suficientes para montar uma Seleção unida para enfrentar os problemas do mundo.
A falta de entrosamento da equipe, escalada para tentar resolver os grandes problemas mundiais, ficou clara nas declarações finais dos encontros. Não houve consenso para um acordo sobre o clima - os países concordaram em não permitir que a Terra aqueça mais do que 2 graus, mas não dissseram como.
A declaração sobre economia é cheia de boas intenções, mas basicamente repete promessas feitas em outras ocasiões - e até agora não colocadas em prática. Os membros do G8 e mais dez países - as 18 maiores economias do mundo, Brasil incluído - se comprometeram a retomar urgentemente as negociações da Rodada Doha e concluí-las até 2010.
Também se comprometeram em cooperar para estimular o crescimento mundial de forma equilibrada e sustentável, resistindo ao protecionismo e mantendo os mercados abertos para comércio e investimento, além de promover um sistema monetário estável e funcional e não recorrer à valorizações da moeda nacional para estimular exportações. É basicamente a mesma declaração da reunião em Washington, em novembro, e em abril, em Londres. E um aquecimento para a próxima reunião, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, em setembro.
Um novo relatório do FMI diz que a volta do crescimento pode demorar mais do que se previa. O Fundo prevê uma retração de 1,4% na economia mundial este ano e um crescimento de 2,5% em 2010. "A boa notícia é que as forças que estavam empurrando a economia global para baixo estão perdendo força. Mas a má notícia é que ainda é muito fraca a força que nos empurra para cima", disse o economista-chefe do Fundo, Olivier Blanchard.
Na reunião sobre mudanças climáticas em Áquila, o Brasil foi um dos países que resistiu a um acordo que obrigaria os emergentes a cortar emissões. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, acha que houve um avanço. "Houve um consenso sobre o que é preciso acordar. Isso antes não havia", disse Amorim.
O G8 propôs reduzir as emissões dos países ricos em 80% desde que os países mais pobres cortem as suas pela metade até 2050. O governo alega que o corte impediria o crescimento do país. Para reduzir emissões, o Brasil não precisa produzir menos, apenas deixar de desmatar. Ainda assim, em encontro reservado com o presidente Lula, Barack Obama disse que acreditava num acordo sobre o combate ao aquecimento global até o fim do ano. Está marcada para dezembro, na Dinamarca, uma reunião para fechar um acordo para quando expirar o Tratado de Quioto, em 2012.
Obama citou as boas relações comerciais entre Brasil e Irã e pediu a interferência de Lula para que o país abandone o programa nuclear. Mas a conversa sobre economia e política internacional durou pouco. O principal assunto entre eles foi futebol. Obama fez cara de triste quando recebeu a camisa da Seleção brasileira autografada, lembrou da derrota americana para o Brasil na Copa das Confederações, de virada, e prometeu: "Os Estados Unidos nunca voltarão a ceder uma vantagem de dois gols", disse Obama.
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