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Dilma faz a ponte com os empresários
Como a pré-candidata do PT vem costurando alianças com setores estratégicos da indústria, de olho em 2010

Denize Bacoccina e Luciana de Oliveira

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Montagem sobre foto de Roberto Castro/ag. istoé

Dilma Rousseff abandona a imagem de durona e, mais diplomática, tem conquistado apoio do setor privado

Gerente do maior programa de investimentos do governo federal e política mais poderosa da Esplanada, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à sucessão presidencial, está lançando pontes em direção ao empresariado. E o melhor: muitos empresários já estão atravessando essas pontes, satisfeitos com a atuação da ministra no governo – uma exguerrilheira que hoje comemora a entrada de capital estrangeiro nas obras de infraestrutura que o País quer fazer. A ministra ainda não é unanimidade, e alguns setores da indústria paulista, por exemplo, temem que um governo Dilma abra espaço para a entrada em sua gestão de radicais do Partido dos Trabalhadores, alijados do poder pelo pragmatismo do presidente Lula. Apesar do temor, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que apoiou o presidente Lula na eleição de 2002 e hoje não se posiciona oficialmente sobre a eleição, chegou a ser cogitado como vice de Dilma, justamente para angariar o apoio da parcela que ainda vê a ministra com desconfiança.

"Se for convidado, farei campanha por ela. O governo sempre esteve atento às demandas do agronegócio"
Blairo Maggi, governador de MT

Mas se alguns temem a solidez da ponte, muitos já a atravessaram sem medo. “Ela vai encontrar muito apoio na classe empresarial, especialmente nos setores que estão satisfeitos com o governo Lula”, disse à DINHEIRO o presidente da Abinee, Humberto Barbato. O setor que ele representa, de eletroeletrônicos, tem sido beneficiado com o crescimento da economia e de programas como Luz para Todos e a redução do IPI para a linha branca. “Ela deve encontrar um bom apoio no setor eletroeletrônico”, diz ele. Outro que atravessou a ponte é o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, um expoente do agronegócio.

Em contraponto à senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Maggi diz que, se for convidado pelo presidente, fará campanha em favor de Dilma. “O apoio a Lula trouxe muitos ganhos para o setor. O governo sempre esteve muito atento”, disse.
A situação de Dilma é diferente da enfrentada por Lula em 2002, que teve apoio de poucos empresários, como Oded Grajew, Lawrence Pih e Ivo Rosset. Nem a escolha de José Alencar como vice nem a Carta ao Povo Brasileiro declarando obediência às regras do jogo foram suficientes para acalmar os que temiam uma radicalização.

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