10 perguntas para Christina Gold Ana Clara Costa

A crise prejudicou o mercado de transferências internacionais de moeda, mas somente até certo ponto. Christina Gold, presidente da Western Union, diversificou o portfólio e os mercados de atuação da empresa antes de a crise atingir seu ápice.
Com isso, diminuiu as perdas e está com musculatura para expandir. Para o Brasil, os planos da companhia não são tímidos. Ela aguarda a licença para se tornar banco de câmbio e pretende fazer do País um celeiro de ideias para as demais filiais ao redor do mundo. "Queremos construir a Western Union do futuro no Brasil", diz Christina, em entrevista à DINHEIRO.
"Todos os produtos que lançarmos a partir de agora, queremos lançar primeiro no Brasil"
DINHEIRO - Como a crise afetou os resultados da companhia?
CHRISTINA GOLD - A crise obviamente reduziu nossa receita no primeiro semestre entre 3% e 4%, além de ter diminuído a frequência e os valores enviados no mercado doméstico. Porém, mais de 60% de nossos negócios estão fora dos EUA. Tentamos equilibrar com resultados na Europa, países emergentes e no Oriente Médio.
DINHEIRO - A Europa também está sofrendo muito com a crise, não?
CHRISTINA - Sim, mas em uma proporção bem menor que os EUA. Só encontramos dificuldades na Espanha e na Rússia. O resto vai relativamente bem. Não vemos o mesmo crescimento de 2007, mas estamos em mais de 200 países e nem todos sofreram tanto. O Brasil é um exemplo disso.
DINHEIRO - Há planos de lançar aqui o serviço de transações financeiras internacionais pelo celular?
CHRISTINA - Sim. A tecnologia móvel é uma grande oportunidade para os próximos três ou cinco anos. Por isso estamos fazendo alianças. Estamos fazendo alguns testes com a Vodafone para transferências para a África, Reino Unido, alguns emergentes e, em breve, o Brasil.
DINHEIRO - Por que querem se tornar banco de câmbio?
CHRISTINA - Queremos oferecer aqui outros serviços, como pagamento de contas, pagamentos online, pagamentos B2B, serviços financeiros pré-pagos. E todos os produtos que lançarmos a partir de agora, queremos lançar primeiro aqui. Queremos construir a Western Union do futuro no Brasil.
DINHEIRO - Há uma maior confiança no mercado brasileiro?
CHRISTINA - É um mercado com maiores oportunidades. E o fato de nós chegarmos até aqui e transformarmos nosso negócio no Brasil em um modelo para os outros países já mostra a confiança que temos na força dessa economia.
DINHEIRO - Quando a licença sairá?
CHRISTINA - Esperamos que até o final deste ano.
DINHEIRO - A empresa também oferecerá crédito no Brasil?
CHRISTINA - Não. Nós tínhamos um pequeno negócio de crédito nos EUA, mas já não existe e não pretendemos trabalhar com isso em nenhum outro país.
DINHEIRO - Quando a licença sair, haverá rompimento com o Banco do Brasil?
CHRISTINA - Não temos a intenção de romper. A rede de atendimento do banco nos permite chegar a muitos locais no Brasil. Continuaremos com ele e outros parceiros, como a Action Corretora de Câmbio e a Ourominas. Também prevemos abrir lojas próprias.
DINHEIRO - A Western Union mudou seu modelo de negócio por causa da crise?
CHRISTINA - Não. Somos uma companhia muito sólida e trabalhamos muito nos últimos dois anos para melhorar nossa estrutura. E nos sentimos confiantes sobre nossas habilidades de superar a crise.Temos boas margens que cresceram ainda mais (20%) em 2008 e um forte fluxo de caixa que já bate US$ 1 bilhão.
DINHEIRO - O que foi feito para melhorar a estrutura da empresa?
CHRISTINA - Diversificamos nosso portfólio de produtos e passamos a dar mais ênfase a outros mercados, tirando o foco dos EUA. E isso foi essencial para manter a solidez da companhia.
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