O grande corredor de exportação O Maranhão mudará o eixo logístico das exportações brasileiras, mas ainda caminha em ritmo mais lento do que a chegada de investimentos no Estado
Hugo Cilo, de São Luís (Maranhão)

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Porto do Itaqui: a rota mais curta e econômica entre o Brasil e os mercados da Europa e dos Estados Unidos
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No início desta semana, um navio carregado com minério de ferro da Vale partiu do Porto do Itaqui, no Maranhão, rumo a Roterdã, na Holanda. A viagem levará dez dias. Na mesma segunda-feira, outra embarcação abarrotada de contêineres zarpou do Porto de Santos também com destino à Europa. Até aí, nada além da rotina.
Mas há diferenças entre os dois: o primeiro navio chegará oito dias antes e terá economizado algo próximo a US$ 350 mil. Essa comparação ilustra bem o potencial logístico do Nordeste brasileiro e reforça a importância do Maranhão, um dos mais promissores corredores de exportação do País, para o desenvolvimento econômico brasileiro. Além da questão geográfica, há vários argumentos econômicos. E são argumentos de peso.
O Maranhão vive a maior onda de investimentos das historia. O principal porto do Estado, o do Itaqui, precisará dobrar de tamanho para atender ao crescimento da demanda que já existe - passará da atual capacidade de movimentação 13,3 milhões de toneladas/ano para, no mínimo, 20 milhões de toneladas/ano nos próximos quatro ou cinco anos.
Isso não é um desejo, mas uma necessidade. A chegada da Ferrovia Norte-Sul a São Luís no ano que vem levará boa parte da produção de grãos do Centro-Oeste para ser exportada via Maranhão. Serão cerca de 12 milhões de toneladas/ano. Hoje, é embarcado 1,8 milhão de toneladas de soja, milho e outros grãos.
Somado a isso há megaprojetos industriais no Estado, entre eles a construção da Refinaria Premium da Petrobras - que será a maior da América Latina e terá capacidade de refino de 600 mil barris de petróleo/dia, quase o dobro do limite da Refinaria de Paulínia -, a construção já em andamento das termoelétricas da MPX, do empresário Eike Batista, a ampliação da produção da Vale no Maranhão, Pará e Tocantins, a expansão da Alumar - gigante do setor de alumínio - e os investimentos da Suzano Papel e Celulose. "O tamanho dos projetos e a velocidade com que estão chegando são fora de escala", disse à DINHEIRO o presidente do Porto do Itaqui, Hermes Ferreira. "A modernização do porto e da estrutura logística do Estado é uma questão urgente", completou ele.
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E o governo federal sabe dessa urgência. Há R$ 41,39 bilhões prontos para serem investidos no Maranhão, mas que dependem da ampliação do Itaqui. Não por acaso, ainda este mês o porto receberá R$ 260 milhões para recuperação de dois berços (área de atracagem) e ampliação de mais um.
Outros R$ 80 milhões virão do PAC para início da construção de uma retroárea - que servirá para movimentação de contêineres - e mais R$ 50 milhões serão investidos em uma esteira de minérios. Com a readequeação, o Porto do Itaqui terá condições de exportar minério de ferro, milho, soja, madeira e toda a nova produção industrial do Estado e do Centro-Oeste.
Além de desafogar os portos do Sudeste - que trabalham no limite da capacidade -, o porto se tornará um dos principais corredores de exportações do País e o ator principal da nova história econômica do Maranhão.
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