Anuncie
Assine Três
 
  IstoÉ Dinheiro
 
Economia
Imprimir
 
Yankees,go home! Brasil, bem- vindo!
Essa é a mensagem que o novo Iraque, livre da ocupação americana e com US$ 14 trilhões em petróleo enterrados no seu subsolo, quer transmitir às empresas brasileiras

Leonardo Attuch

comente a matéria

ap photo/Karim Kadim
Milhares de iraquianos saíram às ruas na semana passada para festejar a saída das tropas americanas

Karime Xavier/ag. istoé

" Temos a maior reserva de petróleo do mundo, queremos comprar tudo e o Brasil pode ser um grande parceiro "

Fawzi Hariri, ministro da indústria do Iraque

Berço da civilização, o vale mesopotâmico, localizado entre os leitos dos rios Tigre e Eufrates, abriga um país livre desde a terça-feira 30. No Iraque, milhares de pessoas saíram às ruas para festejar a liberdade assim que as rádios de Bagdá confirmaram a retirada de 150 mil soldados das tropas norte-americanas.

O governo decretou feriado nacional, que será chamado de Dia da Soberania. E enviou alguns de seus homens fortes para países estratégicos com a missão de atrair investidores. Um deles, Fawzi Hariri, ministro da Indústria, desembarcou no Brasil e falou com exclusividade à DINHEIRO.

"Queremos que vocês sejam um dos nossos três maiores parceiros", disse ele. O novo Iraque, além de livre, é também um dos países mais ricos do mundo - ao menos em termos potenciais. Com reservas de petróleo estimadas em 200 bilhões de barris, os iraquianos têm guardado no seu subsolo um patrimônio de US$ 14 trilhões, o equivalente a um PIB americano.

E o custo de extração é o mais baixo do mundo, de apenas US$ 2 por barril menos de 10%, por exemplo, do custo estimado para o pré-sal brasileiro. "O Iraque é um país que pode resolver seus problemas e se tornar próspero em apenas uma geração", diz Hariri. Pragmático, Hariri não perdeu tempo.

Uma de suas primeiras escalas no Brasil foi em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Fechou a compra de 250 caminhões Mercedes e negociou a transferência de tecnologia para montagem de veículos pesados numa região próxima a Bagdá. "Já quero organizar missões empresariais para levar empresas daqui a Bagdá", disse à DINHEIRO o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, ele próprio um ex-metalúrgico que guarda na memória a histórica exportação de 200 mil veículos Passat feita pela Volkswagen em 1980.

"Eles querem comprar de tudo, desde parafusos até aviões." Hariri confirma. E diz que pretende atrair empresas brasileiras de vários setores, começando pela construção civil. "Estamos contratando a construção de 350 mil casas", diz ele, que enumera diversas vantagens competitivas do Brasil em relação aos concorrentes internacionais. "O Brasil tem tecnologia de padrão internacional e um custo competitivo", diz ele. "Além disso, é um País pelo qual nós temos grande simpatia."

Os laços entre Brasil e Iraque começaram a ser construídos há quatro décadas, depois dos dois grandes choques do petróleo. Naquela época, o Brasil se viu sem crédito no mercado internacional e ainda dependia do petróleo importado, que respondia por mais de 70% do consumo, para mover sua economia. Uma das soluções encontradas foi exportar serviços, como grandes obras públicas, para bancar a importação de petróleo.

E a empresa que mais se engajou nesse esforço foi a construtora Mendes Júnior, que chegou a empregar mais de 30 mil pessoas no Iraque. O dono da empresa, Murillo Mendes, também aposta na reconstrução rápida do país. "Os iraquianos são o povo mais trabalhador e disciplinado do Oriente Médio, o equivalente ao que os prussianos representam para a Europa", disse ele à DINHEIRO. "Além disso, contam com uma elite extremamente preparada." A Mendes Junior deixou o Iraque após a Guerra do Golfo, em 1990, e ainda não tem planos de voltar.

A última construtora brasileira que atuou no Iraque foi a Odebrecht, durante o período em que o país esteve ocupado por tropas americanas, e a experiência terminou de forma trágica, em 2005, quando o engenheiro João José de Vasconcellos foi assassinado. E é esse ponto - a segurança - que ainda afugenta eventuais investidores. "Em pouco tempo, o novo Iraque, soberano e com o destino em nossas mãos, será um dos países mais seguros do mundo", garante Hariri.

"Antes, não havia esperança; agora, o progresso será o instrumento de pacificação." Na mesma semana em que se tornou livre da desastrosa ocupação norte- americana, que custou US$ 3 trilhões aos Estados Unidos e foi apoiada numa grande farsa, a das "armas de destruição em massa", o Iraque realizou a primeira licitação para modernização em alguns dos seus campos de petróleo, com espaço para participação de empresas estrangeiras.

Uma nova lei de atração de capitais externos e também de garantia aos direitos dos investidores já foi aprovada. "Somos um país aberto e liberal", diz Hariri, cuja viagem também teve cunho político. O governo iraquiano negocia com o Itamaraty a reabertura da embaixada brasileira em Bagdá e também espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja o primeiro líder sul-americano a visitar oficialmente o país. Ainda não há confirmação oficial, mas Lula deve aceitar o convite - no que seria um acerto de sua diplomacia, focada em estreitar laços com os emergentes.

Colaborou Hugo Cilo

 

 


Edição Digital
Boletim
Gratuitamente,
receba as últimas
notícias e conteúdo
exclusivo do site.


Economia
Imprimir
   


Busca:
Sites Editora Três

Seções
Capa | Dinheiro Investidor | Dinheiro na Semana | E-commerce | Economia | Entrevista | Estilo | Finanças | Horóscopo | Negócios | Reportagens | Especial | Artigo
Serviços
Fale Conosco | ISTOÉ Dinheiro Digital | Expediente | Anuncie | Assine
Revistas TRÊS
IstoÉ | IstoÉ Dinheiro | IstoÉ Gente | Motorshow | Planeta | Dinheiro Rural | Go Outside | Menu

Gerenciamento de Conteúdo / CMS - ContentStuff.com