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O rei do tele-ensino muda de canal Por que Carlos Amastha, o homem que domina o ensino a distância no Brasil, resolveu apostar em novas atividades
ROSENILDO G. FERREIRA, DE PALMAS (TO)

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Em ritmo de expansão: Amastha, dono do Grupo Skipton, vai levar a Eadcon para os demais países do continente
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R$ 100 milhões é o valor que o empresário está investindo na construção do Capim Dourado Shopping, o primeiro centro de compras de Palmas
U ma Ferrari preta rasga a avenida Juscelino Kubitschek, a principal via de tráfego de Palmas (TO). Em poucos segundos o velocímetro do bólido alcança a incrível marca de 200 km por hora. O piloto, Carlos Enrique Franco Amastha, 48 anos, sorri e desacelera para 70 km p/hora - o limite máximo aceitável naquele trecho da rua. As avenidas largas e semidesertas da cidade são, de fato, um convite para quem deseja testar a força de carrões deste porte.
Mas o que atraiu o dono do Grupo Skipton a Palmas não foi a possibilidade de pisar fundo no acelerador de seu "brinquedinho", mas sim a ambição de fortalecer os negócios. Sua primeira investida por lá aconteceu em 1999, quando fundou o Sistema Educacional Eadcon. Trata-se da maior empresa de solução tecnológica para o ensino a distância no País. São 140 mil alunos de entidades como o Instituto Chiavenatto, a Faculdade Educacional da Lapa e a Unitins - Fundação Universidade do Tocantins, espalhados por telessalas em 1,3 mil cidades conectadas ao sistema.
A rede também é usada por empresas e órgãos governamentais no treinamento de funcionários. "A educação a distância democratiza o conhecimento", filosofa Amastha. Agora, o empresário pretende usar a cidade como plataforma para dar um salto também no setor imobiliário. Para isso, está investindo R$ 100 milhões na construção do Capim Dourado Shopping, cuja inauguração está prevista para outubro. Mas, por que o homem que domina o segmento de ensino a distância resolveu se aventurar em outra área? Amastha diz que, assim como no caso do setor educacional, ele se viu diante de uma grande oportunidade de crescer em um mercado carente de boas opções de compras e lazer.
"O empreendimento terá influência sobre uma população de 430 mil pessoas, que vive em um raio de 100 quilômetros ao redor da capital e possui uma renda mensal que oscila entre R$ 1,3 mil e R$ 3,1 mil", argumenta. Apesar dos pontos favoráveis, os especialistas recomendam que é preciso ter cautela. Para Cláudio Tomanini, professor de marketing e vendas do curso de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), o grande desafio de Amastha será criar formas para seduzir os consumidores. Ciente disso, Amastha confiou a tarefa de definir o "recheio" do shopping à consultoria Nacional Shopping - que traz no currículo o projeto de modernização do Shopping Eldorado, de São Paulo. Entre os atrativos do Capim Dourado constam: uma área de serviços de conveniência e gastronomia aberta 24horas, seis salas de cinema no estilo estádio, além de um parque infantil indoor.
O mix de lojas inclui grifes consagradas como Lojas Riachuelo, Centauro e Ri-Happy. Ao lado do empreendimento será erguido um power center reunindo uma megaloja de material de construção e um atacarejo - mistura de atacado e varejo que atende tanto o pequeno e o médio comerciante quanto o cliente individual. Apesar da disposição de ampliar seus domínios no setor imobiliário, que hoje responde por cerca de 1% das receitas de R$ 103 milhões do Grupo Skipton, Amastha não quer perder de vista o segmento educacional. Aliás, foi essa área que o fez trocar Barranquilha (Colômbia) por Curitiba (PR).
Graduado em engenharia, ele desembarcou na cidade em 1983 com US$ 1,5 mil no bolso e a missão de abrir uma filial do curso de idiomas no qual trabalhava. Hoje, ele está fazendo o caminho inverso. No início deste ano, a Eadcon abriu uma subsidiária na Colômbia, na qual já investiu US$ 20 milhões na compra de equipamentos, como antenas de transmissão, e na montagem de estúdios de gravação, por exemplo.
O desembolso elevou para R$ 500 milhões o volume gasto nos últimos dez anos em infraestrutura. Agora, Amastha quer imprimir em seus negócios, tanto na área imobiliária quanto na educacional, uma velocidade digna de sua possante Ferrari.
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