Memória
Silêncio no reino do pop O legado de Michael Jackson, um dos maiores astros da história, revela como ele influenciou os costumes de toda uma geração
Carlos Sambrana

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PRECOCE: o cantor começou sua carreira aos 5 anos de idade |
BIZARRO: nos últimos anos, ele mudou a cor da pele,
fez várias cirurgias plásticas e tornou-se recluso |
Eram 14h26, na cidade de Los Angeles, quando a morte de Michael Joseph Jackson, segundo filho de seis irmãos, foi oficialmente anunciada por médicos do Centro Médico da Universidade da Califórnia. Acabaram-se ali, num infarto fulminante, as especulações sobre o estado de saúde do maior astro que a música pop já teve. Aos 50 anos, Michael Jackson morria da mesma forma que havia vivido: tragicamente. O ídolo nascido em Gary, no Estado de Indiana, despontou, na década de 1960, aos 5 anos, na liderança do grupo Jackson 5, ao lado de seus irmãos. Tornou-se rei com Thriller, de 1982, o álbum mais vendido da história, com 100 milhões de cópias. Fez do moonwalk, o passo em que deslizava de costas como se estivesse levitando no ar, sua marca registrada; até o fim de sua carreira, contabilizou 750 milhões de discos vendidos, e foi o primeiro músico da história a fechar um contrato de US$ 1 bilhão com a gravadora Sony na década de 90. Mas virou refém do próprio sucesso. Nunca mais conseguiu atingir as marcas de Thriller e nunca mais viveu em paz. Aos poucos, a figura do ícone deu lugar a um ser bizarro. Sua pele embranqueceu – não se sabe se foi devido a tratamentos para mudar de cor ou a um suposto vitiligo –, o rosto foi desfigurado por plásticas, passou a andar de luvas, usar máscaras cirúrgicas e caminhar com sombrinhas. Recluso, se escondeu no famoso rancho de Neverland, em Los Olivos, na Califórnia. Foi processado por ter abusado de crianças, fez acordos judiciais e chegou a pagar US$ 20 milhões para se livrar de uma acusação. Michael, entretanto, queria ser inocentado pela opinião pública. Ele tentava voltar.
Depois de oito anos fora dos palcos, ele iria se apresentar, em Londres, em uma série de 50 shows até março de 2010. Mais de um milhão de ingressos já haviam sido vendidos. A ideia era fazer um retorno triunfal e depois prorrogar a turnê por mais três anos, o que lhe renderia US$ 450 milhões. Essa série de shows era encarada pelo astro não só como a chance de mostrar que ele ainda era o rei do pop, mas também como a oportunidade de salvar seu patrimônio. Michael era um spendaholic, gastava compulsivamente, mais do que ganhava, e a conta não fechava. Apesar de ser dono dos direitos autorais dos Beatles, comprados em 1985, suas dívidas alcançavam US$ 400 milhões. Para tentar pagá-las, Michael cogitou fazer um leilão com seus objetos pessoais, o que lhe renderia US$ 20 milhões. Cancelou tudo faltando duas semanas para o evento. Emocionalmente instável, o rei do pop casou-se duas vezes, uma com Lisa Marie Presley, filha de Elvis Presley, e a outra com a enfermeira Debbie Rowe. Com a primeira, sua boda durou pouco mais de um ano, e com a segunda, com quem foi casado por três anos, teve dois filhos, Prince Michael, 12 anos, e Paris, 11 anos. Em 2002, Michael teve outro filho, Prince Michael II, 7 anos, fruto de uma barriga de aluguel. Se não puderam ver o sucesso do pai em vida, poderão ver do que Michael é capaz depois de sua morte. O Google saiu do ar diante de tantas buscas pelo nome do astro. De acordo com o site de vendas Amazon, logo após o anúncio do falecimento de Michael, as vendas de CD’s do astro saltaram. Dos 20 álbuns mais comercializados no site, 14 eram de Michael Jackson.
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Colaborou: Carolina Guerra
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