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Conrado Engel, presidente do HSBC Brasil
"Queremos o Brasil no radar dos asiáticos"
Por MILTON GAMEZ

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murillo constantino/ag. istoé

O engenheiro catarinense Conrado Engel, 51 anos, acaba de assumir a presidência do HSBC no País. Ele substitui o britânico Shaun Wallis, que foi promovido a diretor global de negócios e mudou-se para Hong Kong - de onde vem Engel. De lá, ele comandou por dois anos e meio a área de varejo em 19 países na Ásia e na Oceania. Sua carreira no HSBC foi meteórica.

Engel entrou no grupo em outubro de 2003, com a compra da financeira Losango, ingressou no time de executivos internacionais e agora volta como presidente. Sua missão é ajudar o banco a colocar o Brasil no radar dos empresários e investidores asiáticos. "Queremos que eles pensem no Brasil quando forem fazer negócios ou investir", afirma o executivo à DINHEIRO, em sua primeira entrevista no posto.

DINHEIRO - Um analista afirmou que o HSBC taxia, mas não decola no Brasil. É verdade?
CONRADO ENGEL -
(Risos). Temos que olhar o banco no Brasil sob um contexto global. O HSBC é um dos maiores bancos do mundo e é o mais global dos bancos internacionais. Essa é a nossa vantagem competitiva. Vamos nessa direção, conectando o Brasil em nossa estrutura internacional, oferecendo algo diferente aos nossos clientes. Se quiserem fazer negócios com a China, o Oriente Médio, o Casaquistão - o presidente Lula acaba de voltar de lá -, podem contar conosco. Conhecemos esses mercados localmente, conhecemos as empresas e temos estrutura de distribuição lá.

DINHEIRO - Depois do boom de 2007 e da crise de 2008, como está a Ásia em 2009?
ENGEL -
A China continua crescendo muito mais voltada para o mercado interno. O programa de incentivo do governo, de US$ 600 bilhões, está funcionando, principalmente em infraestrutura e incremento do consumo interno. Vai crescer 8% este ano. A Índia está indo na mesma direção, tem um mercado interno forte e deve crescer 5%. Os países mais dependentes de exportação são os que sofrem mais. Em Taiwan, o PIB deve cair mais de 6% e o desemprego continua crescendo. Em Cingapura, o comércio é o principal fator do PIB, que deve cair mais de 10%. O Japão e a Coreia também sofrem.

DINHEIRO - Qual é o peso da Ásia no HSBC?
ENGEL
- Como a participação de mercado do HSBC é muito grande, principalmente em Hong Kong, e a marca é forte, a Ásia continua sendo a principal fonte de receitas do grupo. Obviamente, a crise tem dois efeitos. O primeiro é a compressão de margens, especialmente nos depósitos de varejo. Em alguns países, como Índia e Indonésia, houve um pequeno aumento da inadimplência. Mesmo assim, os resultados até maio ainda estão acima de nossas previsões.

DINHEIRO - Qual é a estratégia do banco no mundo?
ENGEL
- Ter uma participação maior nos mercados emergentes. A meta é ter 60% das receitas nos emergentes e 40% nos desenvolvidos. Historicamente, cada grupo respondia por 50%. Nascemos na Ásia e nossa vocação está nos emergentes.

DINHEIRO - A crise pode resultar em mais protecionismo nos países. Como isso vai afetar as atividades do banco?
ENGEL
- O protecionismo é um risco dessa crise. Os governos estão preocupados com isso e estão discutindo bem a questão nos fóruns internacionais, como a reunião do G-20, em Londres, e a recente reunião dos Brics. Ficou claro nessa crise que é importante ter mercados internos fortes, mas também a interconectividade global é irreversível. A China não produz tudo o que precisa e, quando cresce, compra suprimentos fora. O mesmo acontece com a Índia, que vai investir fortemente em infra-estrutura. Isso vai abrir um bom caminho para empresas de construção, de máquinas e até de commodities. O mundo está interligado e não é possível ser autossuficiente.

DINHEIRO - O que mudou?
ENGEL
- Antes os grandes mercados de consumo ficavam nos Estados Unidos e na Europa e as demais regiões produziam para eles. Agora, os consumidores estão mais distribuídos, há grandes mercados internos no Leste e em grandes países populosos, como o Brasil. É onde o HSBC está - em alguns lugares, como Ásia e Oriente Médio, há mais de 100 anos. Na China continental, estamos há 140 anos. Crescemos mais nos últimos dez anos com a compra de 20% do Bank of. Communications. Temos 17% de participação na maior seguradora chinesa, a Ping An, e uma rede de agências focadas no mercado de alta renda. Somos o maior banco internacional na China.

DINHEIRO - De que maneira isso vai ajudar sua estratégia no Brasil? Um executivo do Carrefour na China afirmou que os empresários brasileiros ainda não descobriram o país.
ENGEL -
Essa é a nossa vantagem competitiva. Temos quase cinco mil funcionários diretos na China. Estamos nos mercados de varejo, atacado, de pequena e média empresa. Nossa capacidade de aproximar as partes é muito grande. Muitas pessoas na Ásia já trabalharam na América Latina e conhecem o ambiente. O Sandy Flockhart, presidente da Ásia- Pacífico, ocupou esse cargo na América Latina. As principais empresas brasileiras já são nossas clientes, queremos aproximá-las dos nossos clientes asiáticos.

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