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A âncora do emprego
No Brasil, o desemprego cresceu bem menos do que em outros países e isso explica por que o País está saindo mais rápido da crise global

Denize Bacoccina

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Funcionários da csn: A empresa, que havia demitido 1,3 mil pessoas, decidiu recontratar 1,2 mil para montar um novo forno

Menos de seis meses depois de demitir 1,3 mil funcionários para se adaptar à nova realidade do mercado internacional, a Companhia Siderúrgica Nacional se prepara para aumentar a produção. Na semana passada, a empresa anunciou a criação de 1,2 mil empregos nos próximos meses, para colocar em operação o alto-forno 2 da usina Presidente Vargas, reformado com um investimento de R$ 100 milhões. "Somos a primeira siderúrgica do mundo a começar a contratar", disse o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch.

" Somos a primeira siderúrgica do mundo a voltar a contratar pessoal desde o início da crise "

Benjamin Steinbruch, da CSN

Também na semana passada a Volkswagen brasileira, contrariando a crise do setor no mundo, anunciou a contratação de 200 funcionários por tempo determinado, além da efetivação de outros 600 que haviam sido admitidos como temporários.

Anúncios deste tipo ainda são raros na indústria, que sofreu com a queda nas exportações. Mas setores da economia que dependem mais do mercado interno pouco sentiram a retração mundial. No varejo, as vendas subiram 6,9% e o faturamento aumentou 13% em abril em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado dos quatro meses, a alta é de 4,5%, com aumento de 10,6% na receita.

A chave dessa aparente indiferença da economia doméstica em relação à crise internacional é o emprego. Enquanto em vários países da Europa e nos Estados Unidos a taxa de desemprego quase dobrou nos últimos meses, no Brasil a alta foi inferior a um ponto percentual - e já começa a recuar. Entre junho de 2008 e maio deste ano, a taxa passou de 7,9% para 8,8%. Nos EUA, o desemprego aumentou de 5,6% para 8,9% entre junho do ano passado e abril deste ano, e na Espanha saltou de 6% para 11%.

Aqui, com a manutenção do desemprego em níveis razoáveis, o rendimento também subiu e com ele se manteve o poder de compra do trabalhador. O resultado pode ser visto no PIB do primeiro trimestre. Apesar da queda de 1,8% na atividade econômica como um todo, o consumo das famílias cresceu 0,7% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. "O emprego e a renda ajudaram a segurar a economia", disse à DINHEIRO o economista Fernando Sampaio, da LCA Consultores. A renda foi mantida com os reajustes de salários acima da inflação e com o aumento do mínimo. "Isso não aconteceu por acaso. Teve um peso importante da política econômica", diz ele.

A manutenção da renda e do emprego formaram um círculo virtuoso. Depois do primeiro choque com a crise mundial, em outubro, o setor produtivo pisou forte no freio e a produção despencou nos últimos dois meses do ano. O Caged, sistema do Ministério do Trabalho que registra as contratações e demissões com carteira assinado, mostrou perda de 40 mil empregos em novembro, de 654 mil em dezembro e de 101 mil em janeiro. Com as medidas adotadas pelo governo para incentivar a venda de veículos e ampliar a oferta de crédito nos bancos e sem novas notícias de demissões em massa, o mercado começou a se normalizar.

Com emprego e dinheiro no bolso, o consumidor continuou comprando, estimulado também pela redução dos juros e o alongamento dos prazos. "A renda cresceu bastante até março, e isso sustentou as vendas no mercado doméstico. A partir de agora os reajustes salariais devem ser mais fracos, mas a estabilização do emprego pode compensar", disse à DINHEIRO Ariadne Vitoriano, analista da Tendências.

O Caged também mostrou a retomada da produção e das contratações a partir de fevereiro. "O mercado de trabalho teve uma piora muito rápida, mas esse quadro já se reverteu", diz Sampaio. Em maio, foram 131 mil novos empregos e, pela primeira vez, com saldo positivo em todos os segmentos da economia. "Vai melhorar mais e vamos fechar o ano com saldo de um milhão de empregos", disse à DINHEIRO o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

 


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