As 48 horas de Gabrielli O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, dobra sua rotina de trabalho e se prepara para duas batalhas: uma CPI no Congresso e a discussão do novo modelo do petróleo
Por Leonardo Attuch e Denize Bacoccina
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Fotografado para a DINHEIRO por Roberto Castro
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"Não gosto de briga, mas também não fujo"
José Sérgio Gabrielli, presidente da petrobras
Não há nenhum quadro na parede, a não ser a foto do presidente Lula, e a mesa, com poucos papéis, não possui gavetas. Desde a última semana, esta pequena sala, espartana, abriga o presidente da maior empresa do País. No segundo andar de um edifício de apoio da Petrobras em Brasília, José Sérgio Gabrielli instalou sua trincheira e decidiu também rever sua rotina. A partir de agora, ele passará as terças e quartas-feiras na capital federal - e não mais no Rio de Janeiro.
Viagens ao Exterior, para visitar investidores, clientes e governos, foram suspensas. Os fins de semana serão também tomados pelo trabalho. "Meu dia terá de ter 48 horas ou até mais", diz o presidente da Petrobras. Baiano, com um código genético que mescla influências da Itália, da África, de Portugal e de tribos indígenas, ele se vê no meio de uma guerra.
E diz que o sangue quente, herdado dos Gabrielli, tem comandado seu comportamento. "Não gosto de briga, mas também não fujo", diz ele. O palco da batalha fica perto dali. No Senado Federal, uma Comissão Parlamentar de Inquérito deverá ser instalada nos próximos dias para investigar contratos, licitações e práticas da Petrobras.
Uma tarefa hercúlea para os senadores, pois a empresa tem 240 mil contratos, 57 mil fornecedores e investe cerca de US$ 100 milhões por dia. Da guerra, Gabrielli garante que não sairá derrotado. "Estamos levando socos no fígado, mas não vão nos nocautear" (leia sua entrevista exclusiva à DINHEIRO à página 36).
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Espírito de combate: nos anos 70, Gabrielli militou na AP e foi preso oito vezes. No período mais agudo da ditadura, ficou seis meses na prisão. Depois, decidiu se exilar nos EUA, onde fez mestrado em economia
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Para enfrentar o exército inimigo, Gabrielli decidiu colocar em ação uma sofisticada máquina bélica. "Estamos montando uma infraestrutura de batalha", diz ele. O quartel-general fica no modesto prédio da empresa em Brasília, que abriga menos de 200 funcionários.
É de lá que Gabrielli comanda as reuniões, por tele ou videoconferência, com funcionários na sede, no Rio e em outros escritórios. Um grupo de 30 a 40 pessoas está dedicado ao assunto em tempo integral, e centenas de outras, em todos os departamentos, são acionadas para responder a questões específicas.
Gabrielli orientou seus comandados a preparar respostas para os cinco pontos citados no requerimento que pediu a abertura da CPI - e diz que os adversários não podem avançar além deste território. "CPI tem que ter fato determinado", diz ele. Os cinco pontos são a Operação Águas Profundas, da Polícia Federal, o uso da variação cambial em contratos, o preço da terraplanagem na refinaria Abreu e Lima, a suposta manobra contábil para pagar menos Imposto de Renda e os patrocínios a ONGs. Mas o desfecho de uma CPI nunca é previsível.
E Gabrielli sabe que outras questões poderão surgir quando os senadores começarem a trabalhar. Ele teme que o noticiário negativo afete a reputação internacional da empresa e prejudique o objetivo de se tornar uma das cinco maiores empresas de energia do mundo. "Não podemos ser retratados como uma empresa bandida", afirma.
O general Gabrielli também dedica atenção especial à batalha da informação. Ele, que já foi jornalista na Bahia, acompanha diariamente as notícias publicadas no Brasil e no Exterior sobre a empresa. "A contínua repetição de ataques pode criar uma fama de que isso aqui é um mar de lama. Uma imagem falsa", diz ele. O presidente da Petrobras também tem aproveitado as idas a Brasília para conversar diretamente com os senadores.
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