"Energia limpa e água são o nosso futuro" Por José Sergio Osse

Brackett Denniston, vice-presidente mundial da General Electric
Qualquer um interessado no futuro de temas importantes como infraestrutura tem em Brackett Denniston, vice-presidente sênior da General Electric, uma ótima fonte de informações. Segundo ele, a tendência sustentável é irreversível e o investimento em energias renováveis e em técnicas de obtenção de água é fundamental, especialmente para gigantes como a GE. A política de Barack Obama nos EUA pode até acelerar esse processo. Ainda assim, Denniston acredita que isso não impedirá que o grosso da geração de receita da companhia migre dos países desenvolvidos para os emergentes. Confira abaixo trechos da entrevista que o executivo concedeu à DINHEIRO, durante passagem relâmpago pelo Brasil (chegou ao País no início da manhã e voltou aos EUA na noite do mesmo dia).
DINHEIRO - Os problemas recentes da GE se originaram em seu braço financeiro, a GE Capital. Como está a situação dessa subsidiária hoje?
BRACKETT DENNISTON - O sistema financeiro, nos EUA e em todo o mundo, enfrentou algo que não era visto desde o tempo de nossos pais e avós. Ele ficou à beira do abismo. Agora, a situação está se estabilizando e temos que trabalhar todos para sair da recessão. A GE Capital também está nesse estágio. O importante foi que permanecemos lucrativos por termos também uma área industrial.
DINHEIRO - E a GE deve se manter lucrativa?
DENNISTON - Creio que sim. Talvez perto do ponto de equilíbrio (entre receitas e despesas). Reorganizamos a estrutura de nossa dívida, o que melhorou muito nossa posição de curto prazo. O fato é que já temos provisionados os recursos necessários para o pagamento das dívidas que vencerão neste ano e no ano que vem. E vamos continuar fazendo isso, reduzindo nosso risco de débito.
DINHEIRO - Qual o papel da GE Capital nesse novo cenário?
DENNISTON - Ainda haverá muito espaço para grandes negócios na área financeira. Acreditamos que poderemos nos beneficiar de nossa grande experiência e conhecimento desse mercado. Mas certamente a GE Capital deverá encolher, e responder por cerca de 30% de nosso faturamento, contra os atuais 50%. Há um bom futuro para a área financeira, embora seja importante lutar para sair intelidessa recessão. O bom é que temos os meios e estamos tomando as medidas apropriadas para atingir essa meta.
DINHEIRO - Isso quer dizer que a GE quer voltar a ser mais industrial?
DENNISTON - Sem dúvida. Estamos reorientando nossa empresa. Isso não quer dizer que deixaremos de atuar no segmento financeiro, mas certamente queremos que nossa atividade industrial responda por uma proporção maior de nosso faturamento.
DINHEIRO - Como a GE pretende evitar novos sustos na área financeira?
DENNISTON - Reduzindo nossa dívida e sendo muito transparentes nisso. Em março divulgamos informações detalhadas sobre nosso negócio financeiro.Antes mesmo que se falasse em "stress test", pegamos as métricas que o governo dos EUA e o Fed tinham estabelecido e aplicamos para todos os nossos ativos globais. Fomos claros ao mostrar como víamos a nós mesmos. O resultado é que nossa área financeira está bem. Os negócios nessa área sempre voltam fortes. Acredito que estaremos preparados para quando isso ocorrer.
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"Nosso presidente esteve com Obama para discutir as vantagens da energia limpa"
Jeff Immelt, presidente e CEO mundial da GE |
DINHEIRO - A crise afetou a área de energia da GE?
DENNISTON - O mercado de energia continuou forte. Em parte porque temos uma carteira de pedidos muito boa. Mas também porque temos um backlog muito bom na área de serviços de energia. Conseguir casar nosso grande portfólio de energia com nossa oferta de serviços nesse segmento é o que garante a ele peso significativo no total de nossos negócios.
DINHEIRO - E daqui para a frente?
DENNISTON - Achamos que o futuro será a energia. E que será energia limpa. Por isso, nossa aposta tem sido em fontes renováveis. Compramos nosso negócio de geração de energia eólica há poucos anos. Era uma empresa muito pequena, mas hoje já é um negócio de US$ 7 bilhões em receita e com um futuro brilhante. Temos ainda investimentos em energia solar e em baterias avançadas. Esses são componentes que consideramos fundamentais na construção de um futuro mais limpo.
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