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Google na mira
As ameaças que pairam sobre a empresa no momento de sua transição de "site bacana" para "gigante corporativa"

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Montagem sobre foto de Boris Roessler/EFE
Atuação em pratos limpos: transparência é o caminho para a empresa de Brin e Page evitar problemas

Assim que surgiu para o mundo, há apenas dez anos, o Google se tornou uma das empresas mais "bacanas" do mercado. Criativo, inovador, o buscador oferecia serviços e ferramentas simples e úteis, além de se apresentar com cara de bom-moço. Mas a lua de mel durou até que o Google ficasse grande e começasse a investir nas mais diversas áreas do mundo da tecnologia, dos navegadores às redes sociais. De queridinho dos internautas passou a ser alvo das mais variadas acusações. "O Google se tornou muito poderoso, talvez por captar tanta informação de seus usuários. E, quando alguém fica muito poderoso, as pessoas ficam mais desconfiadas", diz o analista do Gartner, David Mitchell. Um dos ataques recorrentes é a de invasão de privacidade. O ex-beatle Paul McCartney exigiu que a foto de sua casa fosse retirada do Google Earth, pois a imagem, de certa forma, expunha sua intimidade. Aqui no Brasil, a empresa sofreu pressão semelhante, quando um vídeo com cenas "calientes" da modelo Daniella Cicarelli com o namorado foi postado no YouTube, o site de vídeos do Google. Revoltada, a modelo conseguiu na Justiça a retirada do vídeo do ar. Mais recentemente, nos EUA, a empresa foi obrigada a pagar US$ 125 milhões para editoras e autores a título de direitos autorais de livros que escaneou e colocou à disposição gratuitamente na internet. Resolvido? Não. Logo, o Departamento de Justiça dos EUA começou a investigar o acordo para saber se ele fere as regras comerciais antitruste. Em 2008, as mesmas autoridades barraram a possível associação do Google com seu rival, o Yahoo!

A companhia fundada pelos jovens Sergey Brin e Larry Page parece trilhar os passos da Microsoft. A admiração inicial por Bill Gates e por sua criação foi se transformando, ao longo do tempo, em manifestações contra o poder econômico e a postura monopolista exercidos pela Microsoft, segundo seus críticos. Para o Google, porém, as ameaças ainda não estão tão presentes. "No momento, o maior risco é interno", diz Alberto Griselli, sócio da consultoria Value Partners no Brasil. "Quanto maior a empresa, menor tende a ser o ímpeto inovador, e isso seria fatal para o Google." Externamente, porém, ele acredita que o Google ainda está longe de enfrentar dificuldades realmente sérias - a companhia, diz, gera negócios para muitas empresas e as ajuda a aumentar suas receitas. O melhor antídoto contras as ameaças é a transparência, na opinião de Fábio Filho, diretor-geral da Canonical, empresa de investimento em tecnologias de internet. "Muitos acusam o Google de dominar informações demais. Mas foram os próprios usuários que as disponibilizaram", diz Filho.

José Sergio Osse

Google que ninguém vê

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