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Intel pensa pequeno
A companhia prepara o chip Medfield. Seu objetivo: conseguir nos equipamentos móveis a mesma hegemonia que tem nos PCs

ROBERTA NAMOUR

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Numa sala protegida por câmeras e seguranças por todos os lados, uma imensa caixa preta desperta a curiosidade das pessoas que passam pelos corredores do laboratório da Intel. Em Austin (EUA), o imponente cofre forte guarda um chip de 32 nanomilímetros que irá mudar radicalmente o modelo de negócios da maior companhia de semicondutores do mundo. Batizado de Medfield, o microprocessador quer fazer pelos equipamentos móveis o que o X86 fez pelo mercado de PCs – basicamente foi esta família de chips que tornou acessível e portátil os imensos e caros computadores da década de 70. “Uma revolução no mercado de smartphones está prestes a acontecer”, anuncia à DINHEIRO Oscar Clarke, presidente da Intel no Brasil. Com essa arma em mãos, até 2011 a companhia pretende entrar de vez no disputado segmento de celulares inteligentes. Mas não é a primeira vez que a Intel tenta brilhar na mobilidade. Sua estreia, naufragou com o chip de baixa potência XScale que herdou ao comprar a Digital Equipment Corp. em 1997. Mas desta vez os executivos da companhia prometem que será diferente. O CEO Paul Otellini se diz confiante de que pode conquistar o mercado de eletrônicos, uma vez que, em suas palavras, tais equipamentos estão cada vez mais próximos dos computadores, algo que a Intel conhece intimamente. "O mercado está vindo até nós com mais velocidade do que nós estamos indo à caça dele”, disse Otellini.

" Uma revolução nos smartpho nes está prestes a acontecer "

Oscar Clarke, presidente da intel no brasil


A entrada da Intel no segmento de equipamentos móveis começou em 2003, com os laptops. O lançamento do Centrino, um chip Wi-Fi de baixa potência, tornou os equipamentos tão funcionais quanto os computadores desktop. No ano passado, a companhia lançou o Atom, um superprocessador voltado para o emergente mercado dos netbooks. Sua próxima atração é o Moorestown. O chip combina o baixo consumo de energia do processador Atom com sistemas gráficos digitais e suporte a diferentes padrões de conectividade, como Wi-Fi, WiMax e redes 3G. A plataforma foi criada para computadores móveis chamados de Mobile Internet Devices (MID) – uma categoria intermediária entre os netbooks e os smartphones. Fabricantes como LG, Inventec Appliances, Quanta Computer e Elektrobit já trabalham em aparelhos com a plataforma. Todos os equipamentos terão sistema baseado em Linux e deverão chegar ao mercado no começo do próximo ano. Além disso, a fabricante acaba de comprar a Wind River Systems, fornecedora de sistemas para administração de equipamentos móveis, por US$ 884 milhões, para fortalecer sua presença neste segmento. Mas sua grande aposta é o Medfield, projeto que continua trancado a sete chaves no laboratório da Intel. O novo sistema promete baixar sensivelmente o consumo de energia e aumentar a potência do processador, garantindo aos smartphones uma performance ainda não atingida. “Nossa ideia é levar para dentro desses aparelhos a mesma experiência de acesso à internet que o usuário tem pelo computador”, explica Clarke.

O sucesso nesse mercado é fundamental para a Intel, que, assim como o resto da indústria de computadores, já foi impactada pela queda na venda de PCs. O lucro da empresa no quarto trimestre de 2008 caiu 90% em relação ao mesmo período de 2007, fechando em US$ 234 milhões. Mas essa estratégia é repleta de grandes desafios. A Intel já fracassou no mercado de eletroeletrônicos, com o chip XScale. A plataforma era baseada na arquitetura Advanced RISC Machine (ARM), um sistema que era incompatível com a sua tecnologia de PCs. Fazia pouco sentido para a companhia continuar investindo em chips ARM. Essa plataforma é desenvolvida por diversos fabricantes, fazendo com que a competição seja acirrada e as margens de lucro muito baixas. “Desta vez não vamos adaptar um sistema antigo, e sim desenvolver um produto do zero”, afirma Oscar Clarke. A briga promete ser feia. Os chips ARM estão em mais de 4 milhões de equipamentos móveis pelo mundo. Entre eles, estrelas como o iPhone, o BlackBerry e o PlayStation. Em contrapartida, a Intel possui grandes e fiéis clientes, como HP, Microsoft e Dell, que já demonstraram interesse em seguir sua arquitetura onde quer que ela vá. A Microsoft, por exemplo, anunciou que seu novo sistema operacional, o Windows 7, não poderá ser usado em netbooks acionados por chips ARM.

 


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