Quero ser banco Corretora Planner abre filial em Nova York e prepara-se para virar banco de investimento
Márcio Kroehn

"Antes da crise, existia um mercado gigantesco a ser explorado. Agora, essa oportunidade é maior ainda"
Mario Serpa, sócio
Quem passa pela esquina da avenida Lexington com a rua 52 leste, em Nova York, pode sentir o aroma do cafezinho brasileiro vindo de um andar próximo. Ali está localizada a filial da Planner Corretora, que há duas semanas foi autorizada a operar pela Financial Industry Regulatory Authority (Finra), a entidade autoreguladora dos Estados Unidos. A Planner Securities quer ser a porta de entrada do investidor estrangeiro para operações de renda fixa e variável no Brasil. É o primeiro passo de um ambicioso projeto da corretora paulista.
O horizonte está traçado. Ela quer se tornar banco de investimento. Toda a papelada para a autorização já foi encaminhada ao Banco Central. O processo está em fase de análise e é bem provável que o banco de investimentos Planner seja aberto ainda neste ano. Os sócios Carlos Arnaldo Souza, Maurício Quadrado e Mario Serpa são comedidos ao falar no assunto. "Somos conservadores e enxergamos o complemento do nosso negócio", despista Souza, o acionista majoritário que criou a corretora em 1995. A crise financeira mundial, desencadeada pelos bancos americanos de investimento, aguçou a vontade dos sócios em internacionalizar a corretora.
"Antes da crise, existia um mercado gigantesco a ser explorado. Agora, essa oportunidade é muito maior", diz Serpa. Os planos são fazer da Planner uma alternativa às grandes instituições como UBS Pactual, Credit Suisse, Itaú BBA e Bradesco BBI na captação de recursos, estruturação de dívida, abertura de capital e outros serviços. "Diferentemente dos grandes bancos, nós não precisamos de um comitê para aprovar os negócios. A agilidade e a rapidez da equipe precisam ser nossos diferenciais", afirma Quadrado, ex-Bradesco BBI. No ano passado, os clientes do homebroker da Planner negociaram R$ 1,024 bilhão em ações.
Clientes da Planner negociaram R$ 1,024 bilhão em ações na bolsa no ano passado
Os executivos ficam na ponte aérea São Paulo-Nova York. Pelo menos uma vez por mês, um dos três sócios passa uma semana nos EUA para se dedicar aos clientes. "O momento é interessante para captar recursos estrangeiros para aplicações em real", diz Celso Grisi, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP. O escritório americano será comandado por Paul Baessler, que estava na Wells Fargo e trabalhou no Unibanco.
Serão seis profissionais responsáveis por destrinchar o sabor local de Manhattan. Nessa troca de informações, a equipe de análise da Planner no Brasil pode ser o toque especial na hora de trazer um investimento para o País. Neste início, as operações de renda fixa serão o carro-chefe. Há um interesse crescente pelos títulos de dívidas de empresas. O crédito privado tem atraído boa fatia do capital internacional pelos gordos prêmios que são pagos.
"O apetite por investimentos está aqui", afirma Baessler. O pé internacional não vai ser o único passo da Planner. Atualmente com 23 filiais, o plano é abrir um escritório da corretora em todas as cidades brasileiras com mais de 200 mil habitantes. A compra de concorrentes está em segundo plano. A rotina no número 3.900 da avenida Faria Lima, em São Paulo, é intensa. Com 265 funcionários, os três sócios chegam às 8 da manhã e dificilmente vão embora antes das 20 horas.
A equipe só diverge no futebol. O corintiano Maurício Quadrado estava no Pacaembu na classificação do time para a final da Copa do Brasil, na quarta-feira 3, enquanto o palmeirense Souza torcia contra. "É a única diferença entre nós", diz Souza. Mas quando a bola dos negócios está em campo, não tem equipe dividida.
|