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Zeina Latif, economista-chefe do ING Bank
"O Brasil pode crescer 7% ao ano"
Por Márcio Kroehn

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samir baptista/ag. istoé

Zeina Latif faz parte da turma de economistas otimistas. Ao contrário dos seguidores de Nouriel Roubini, o Sr. Apocalipse, a economista- chefe do banco ING analisa os sinais positivos que estão fazendo a grave crise financeira ficar para trás. "O pior já passou", diz. Ela prevê que o Brasil vai crescer 0,5% em 2009, com uma aceleração do crescimento no segundo semestre.

O País está no caminho certo para se beneficiar da retomada mundial, mas precisa ter coragem de assumir que é possível almejar uma taxa de crescimento de 7% do PIB, insiste. Como? "O grande desafio do Brasil é reduzir a carga tributária e melhorar a qualidade da política fiscal. E parar de discutir câmbio e Selic", provoca. Zeina, 41 anos, recebeu o prêmio de Economista-chefe de 2008, da Ordem dos Economistas do Brasil.

DINHEIRO - O pessimismo do economista Nouriel Roubini perdeu força?
ZEINA LATIF -
Perdeu força porque a economia começa a dar sinais de que atingiu o fundo do poço. O cenário Roubini era de um ano com quedas fortes do PIB, sem interrupção. O formato (gráfico) desenhado da economia era em L, ou seja, queda sem recuperação. As discussões agora são de W, U ou V. Nos EUA, o Fed trabalha com cenário em U, com expectativa de melhora no último trimestre. O mercado está indo para esse caminho. Ninguém está esperando arrancada, mas todos reconhecem que existem efeitos defasados.

DINHEIRO - O cenário atual é de euforia?
ZEINA -
Parte da euforia foi descartar o cenário ruim. O primeiro aumento das ações foi mais forte e acelerado, por ter deixado de precificar uma recessão mais profunda. Os preços dos ativos ainda estão em patamares que não são elevados. Ainda existem pechinchas na bolsa. A tendência é um ritmo mais lento. O ajuste foi brusco e veloz. Mas tem um lado favorável nessa história: ajustes rápidos limpam a economia. O crédito estagnado no mundo forçou um ajuste muito rápido de empresas e consumidores. A velocidade da queda do consumo americano foi inédita. É assustador empresas pararem a produção para ajustar estoques e demitir rapidamente. Isso provoca medo de uma depressão. Mas agora enxergamos que ajustes desse tipo também têm seu lado positivo, porque a retomada pode ser mais rápida.

DINHEIRO - Já é possível dizer que as incertezas acabaram?
ZEINA -
O caminho de melhora não é linear. Não dá para descartar uma realização de lucros em determinados momentos. Faço uma avaliação favorável para determinados mercados, talvez com um ritmo de melhora mais lento. Precificar o crescimento ainda é complicado, porque há os efeitos defasados do crédito. Com a tendência natural de volatilidade, não é um caminho suave. Acredito na tendência de melhora, o pior já passou. O cenário não é em W, ainda que não seja o caso de falarmos em uma retomada de crescimento tranquila.

DINHEIRO - O governo americano, o mais liberal do mundo, transformouse num grande estatizador?
ZEINA -
Foi uma situação emergencial e não uma estratégia de longo prazo reavaliar o papel do Estado. Não tem essa profundidade. Pelo perfil político e pela história econômica dos Estados Unidos, eles vão ficar anos tentando limpar essa estatização - que é, claro, entre aspas. Assim que houver sinais de tranquilidade, essa vai ser uma prioridade. Hoje, o debate é sobre quanto se pode melhorar o lado regulatório para minimizar o risco das bolhas.

DINHEIRO - Onde está a próxima bolha?
ZEINA -
De tempos em tempos, vamos ver uma bolha. Mas não consigo ver quem seria o candidato à próxima.

DINHEIRO - Ser uma economia relativamente fechada prejudica o Brasil?
ZEINA -
Neste momento, foi importante para o Brasil ser mais fechado. As exportações representam 13% do PIB, o que ajudou a blindar o País. Porém, no longo prazo, ser uma economia mais fechada não é uma boa estratégia. Economias abertas ganham em produtividade. Elas têm acesso a tecnologias e insumos mais sofisticados. E, aparentemente, economias abertas terão potencial de crescimento maior.

DINHEIRO - Por que o País saiu bem da crise?
ZEINA -
As questões estruturais fizeram uma diferença enorme. Nossa economia não é dependente da dinâmica americana, como a do México, o exemplo mais preocupante da América Latina. E não temos a desvantagem da economia asiática, que é aberta demais. A importância de ter um setor bancário e financeiro sólido ficou clara com o estrago no Leste Europeu. Nosso setor bancário é pouco alavancado. Estamos em um quadro recessivo, mas não dá para dizer que deve ser de recessão o ano todo. Temos colchões importantes.

DINHEIRO - Colchões podem ser traduzidos em crescimento?
ZEINA
- Acredito em uma recuperação muito robusta do Brasil no segundo semestre. O mercado espera queda de 0,5% do PIB. Estou calculando um crescimento de 0,5% no ano. Isso significa uma aceleração muito forte daqui para a frente. Mas é importante não ficar preso a essa história de que estamos melhores que os outros países. Incomoda comparar nossa política fiscal com a do resto do mundo. Reduzimos a meta de superávit primário, os nossos gastos têm crescido. Hoje, ninguém está olhando para a questão fiscal do Brasil. E esse é o grande desafio: reduzir a carga tributária e melhorar a qualidade da nossa política fiscal.

DINHEIRO - Esse debate pode acontecer após o final dessa crise?
ZEINA -
O meu receio dessa blindagem é a acomodação. Nossa política fiscal tem sido expansionista de baixa qualidade. Não é investimento públit

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