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Por Milton Gamez

PAPÉIS AVULSOS

Um trem cheio de dinheiro

Duas notícias colocam a América Latina Logística no trilho dos analistas. O BNDES, maior acionista da ALL, por meio da agência BNDESpar, está investindo mais R$ 2,15 bilhões na empresa. Desta vez, por meio de empréstimo. A linha de crédito, aprovada na terça-feira 9, é a maior já concedida pelo banco de fomento para o setor ferroviário. Os recursos serão liberados nos próximos quatro anos e permitirão a ampliação e a modernização dos trilhos e trens da companhia, facilitando o cumprimento da meta de crescimento da capacidade de transporte, de 10% a 11% ao ano. O dinheirão do BNDES é bem-vindo. “É um fator positivo, pois reduz o custo de capital da companhia”, avalia Edigimar Maximiliano, analista do Bradesco. A segunda notícia é a redução do preço do óleo diesel pela Petrobras. Os consumidores, como a ALL, pagarão 9,6% menos pelo combustível, o que reduz custos operacionais. Porém, como o principal concorrente da empresa é o transporte rodo-viário, a queda do diesel foi mal recebida. “Os caminhões ficam mais competitivos, pois 50% dos custos do transporte rodoviário são com o combustível”, afirma Maximiliano. Ele recomenda a compra da unit da ALL, com preço-alvo de R$ 17 para o fim do ano. Segundo a empresa, as perspectivas para 2009 são boas, pois a colheita da safra agrícola começou bem e com preços melhores.


DESTAQUE NO PREGÃO

Gerdau freia nos EUA

A demanda não anda lá muito intensa a ponto de permitir desperdícios financeiros. Por isso, a Gerdau resolveu cortar custos pela raiz. Sua subsidiária na América do Norte, a Gerdau Ameristeel, fechará a fabricação de lâminas na fábrica de Perth Amboy e suspenderá a produção de sua usina siderúrgica Sayreville. A negociação se estende para o fechamento da usina em Sand Springs, que junto com a Sayreville tem capacidade de produzir 1,3 milhão de toneladas de aço por ano. Todas essas medidas tomadas pela empresa comandada por André Gerdau Johannpeter buscam evitar a ociosidade na produção de aço. O mercado reagiu bem à decisão da companhia. A Banif Securities, por exemplo, não modificou a expectativa com os resultados da companhia. O papel preferencial fechou em queda de 0,32% na quarta-feira 10.

PALAVRA DE ANALISTA

A estratégia da Gerdau em encerrar as atividades nos EUA vai gerar uma despesa imediata. A estimativa é que o custo varie entre US$ 80 milhões e US$ 140 milhões, o que vai ser um peso negativo nos resultados do segundo e do terceiro trimestres. No entanto, a economia anual, antes dos impostos, pode chegar a US$ 70 milhões. “A redução de custos está sendo pensada para o futuro, com a adequação da demanda”, diz Cristiane Viana, analista da Ágora Corretora. As usinas de Perth Amboy e Sayreville produziam 6% da capacidade da Gerdau. “As outras unidades vão dar conta da nova demanda mundial”, afirma Cristiane. A recomendação da Ágora é de compra.


BRADESCO
Novo minoritário Cosan

Ao vender o Banco ibi, com 30 milhões de clientes, e acertar um contrato de 20 anos de exclusividade nos serviços financeiros com o Bradesco, a C&A concordou em receber o pagamento de R$ 1,4 bilhão em ações. “São 700 mil ações preferenciais e 700 mil ações ordinárias, que serão entregues assim que as autoridades aprovarem a compra”, diz Milton Vargas, diretor de RI do Bradesco. O Cofra Group, dono da C&A, passa a deter 1,6% dos papéis em circulação e se torna acionista minoritário do banco comandado por Luiz Carlos Trabuco. Não se sabe se o Cofra terá assento no conselho do Bradesco, mas o histórico do grupo – com negócios em varejo, mercado imobiliário, instituições financeiras, private equity e energia renovável – indica que sim.



QUEM VEM LÁ
Perdigão volta à bolsa

A fusão entre Sadia e Perdigão, que criou a Brasil Foods, vai precisar de um reforço de capital para financiar o negócio. E o caminho escolhido foi a bolsa de valores. A primeira empresa a protocolar o pedido de emissão primária de ações foi a Perdigão. A companhia liderada por Nildemar Secches espera captar R$ 4 bilhões. A necessidade de reforçar o caixa existe pelo elevado nível de endividamento das companhias. É importante que o investidor leia atentamente o futuro prospecto e veja quais são os projetos para a fusão e de que maneira as ações continuarão a ser negociadas no mercado.

FIQUE DE OLHO: O IPO da VisaNet, coordenado pelo Bradesco BBI, pode movimentar R$ 9,7 bilhões. Oos pedidos de reserva de ações ordinárias poderão ser feitos entre 17 e 24 de junho. preço referencial vai de R$ 12 a R$ 15 por ação. Cada investidor poderá reservar de R$ 3 mil a R$ 300 mil para compras diretas. Por meio de fundos, o mínimo é de R$ 300. Atenção aos Fatores de Risco, listados a partir da página 73 do prospecto.

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