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Paulo Sergio Kakinoff, presidente da Audi Brasil
"O fim da redução do IPI terá impacto nas vendas"
Por Carlos Sambrana

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Desde fevereiro de 2005, quando a família Senna deixou a Audi Brasil, a empresa mudou de comando três vezes. Todos tentaram pôr a companhia na direção certa, mas não conseguiram. A difícil missão, mas não impossível, tornar a empresa líder no segmento premium no País, ficou com o brasileiro Paulo Sergio Kakinoff. Aos 34 anos, 17 deles dedicados à indústria automobilística, este administrador de empresas nascido em Santo André e formado pela Universidade Mackenzie foi nomeado presidente da subsidiária brasileira há pouco mais de um mês. Em entrevista concedida à DINHEIRO, a primeira exclusiva desde que assumiu, o executivo faz uma análise do passado, revela os seus planos e reflete sobre a atual situação da indústria automobilística. Acompanhe:

DINHEIRO - Quando o sr. foi convidado para presidir a empresa?
PAULO SERGIO KAKINOFF - No início deste ano. Na função que eu exercia anteriormente, de diretor-executivo do grupo Volkswagen para a América do Sul, tinha contato com todas as marcas da companhia e discutíamos as estratégias que seriam adotadas nos próximos dez anos. Particularmente, o meu contato com os executivos da Audi de Ingolstadt se intensificou. Aí, surgiu esse convite para que eu me juntasse ao time da Audi Brasil com o objetivo de implementar as estratégias que estávamos desenvolvendo para os próximos dez anos.

DINHEIRO - Quais são as estratégias?
KAKINOFF - A Audi tem crescido e batido recordes de volume de vendas nos últimos 13 anos. Tudo isso foi baseado em uma estratégia muito consistente, combinando portfólio de produtos extremamente competitivos, solidez financeira e o posicionamento da marca. Esses diferenciais demonstraram todo o potencial que a marca pode alcançar. Resultado disso: no primeiro trimestre do ano, pela primeira vez na história, alcançamos a liderança de mercado na Europa, batendo BMW e Mercedes. A missão é fazer com que todo esse potencial seja exercido em sua plenitude no mercado brasileiro.

DINHEIRO - Mas como fazer isso?
KAKINOFF - Boa parte da nossa atenção e da nossa estratégia aqui está em fazer com que o desconhecimento do produto seja eliminado. Faremos isso por meio de uma estrutura bastante agressiva e consistente de possibilitar a experimentação ao consumidor.

DINHEIRO - O que será feito?
KAKINOFF - Test drive é a palavra de ordem. Vamos criar eventos que permitam uma interação com o carro. A marca pode ter uma alta simpatia, um nível de desejo muito grande, mas o consumidor muitas vezes não sabe qual é o atual estágio de desenvolvimento dos nossos produtos. Nos últimos quatro anos, a Audi tem lançado dois modelos novos e versões dos carros já existentes a cada semestre.

DINHEIRO - Quanto a Audi investe em novos produtos?
KAKINOFF - No ano passado, a empresa lucrou 2 bilhões de euros e 100% desse lucro foi reinvestido em produtos. Como isso é replicado nas diversas operações do mundo, nos próximos meses, a Audi lança no Brasil o Q5, a nova geração do A6 e trará os novos S3 e o TTS.

DINHEIRO - O sr. disse que o marketing é crucial para a marca. Quanto será investido no Brasil?
KAKINOFF - Sem citar o valor, vamos dobrar o investimento em marketing e vamos triplicar os investimentos em pesquisa. É um desafio identificar quais inovações são realmente efetivas e atrativas para o consumidor. Então, o melhor canal para aumentar o nível de assertividade é ter um fundamento sólido em pesquisas, saber o que o consumidor deseja e o que ele compreende como uma inovação tecnológica realmente útil.

samir baptista/ag. istoé

DINHEIRO - Como o sr. avalia o trabalho feito pela família Senna?
KAKINOFF - Um trabalho muito bom. A história da Audi no Brasil é referência para a marca no mundo. A empresa é relativamente jovem no mercado nacional, tem 16 anos. Nesse período, com a produção de um modelo nacional, a Audi atingiu a liderança de mercado, superando competidores de extrema qualidade e competência que já estavam aqui. A marca, porém, passou por momentos diferentes em sua história no Brasil.

DINHEIRO - Que momentos?
KAKINOFF - Primeiro como importador, depois como fabricante - ao produzir o A3 com volume anual de 11 mil unidades vendidas -, o que criou uma base de 70 mil clientes. Esse trabalho, com o término da produção local do A3, entrou em uma segunda fase, que coincidiu com a transição das operações da família Senna para a Audi da Alemanha. É uma fase com menos foco no A3, que representava 90% das vendas até 2006. Em 2008, sem resquício do A3, vendemos 1,4 mil carros.

DINHEIRO - Isso não foi um baque para a empresa?
KAKINOFF - Não, porque a empresa foi redimensionada para isso. Para se ter uma ideia de como a nossa estratégia hoje é diferente, neste ano vendemos mais carros importados do que em toda a história da marca no Brasil, quando medimos os primeiros quatro meses do ano. Foram mais de 520 carros. Isso representou 24% de crescimento em relação ao mesmo período de 2008, que foi o primeiro ano sem ter o A3 nacional no portfólio. Hoje, ampliamos o foco nos outros segmentos. O nosso carro topo de linha é o superesportivo R8, que é vendido por uma média de R$ 600 mil. Desde agosto de 2008, quando o lançamos no Brasil, já vendemos 25 unidades. Passados oito meses do lançamento, o cliente ainda tem de esperar 60 dias para ter o carro na cor que ele deseja.

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