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Dinheiro em ação
por Milton Gamez

PAPÉIS AVULSOS

A couraça de Barbassa

" O regime contábil) é um assunto interno, de gestão "

Almir Barbassa, diretor da Petrobras

Se depender dos analistas e dos investidores, nada tirará o humor do diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa. As ações preferenciais da empresa mantinham alta de 7,45% no mês até a quinta-feira 14, apesar da queda de 19,5% no lucro no primeiro trimestre e das polêmicas em Brasília envolvendo divergências com a Receita Federal e criação de CPI (leia reportagem à pág. 44). O mercado parece menos preocupado com o debate político e mais com o desempenho da petrolífera. No caso do lucro trimestral, que ficou em R$ 5,8 bilhões nos três primeiros meses do ano, o resultado foi além do esperado por analistas. “A expectativa era que o lucro fosse de R$ 4,3 bilhões”, afirma Leila Almeida, da corretora Lopes Filho. A briga fiscal com a Receita pela mudança do regime de tributação da companhia também parece não contar muito para a avaliação dos analistas. “Continuamos enxergando a Petrobras a partir de uma perspectiva de longo prazo. Esses fatos não são tão relevantes a ponto de gerar uma mudança de avaliação”, pondera Leila. Nem mesmo a CPI que poderá investigar uma suposta fraude na estatal. O último relatório divulgado pela corretora Ágora Invest, em abril, aponta um aumento do preço- alvo do papel PETR4 para dezembro. De R$ 31,30, a aposta agora está em R$ 39,00. Luiz Otávio Broad, analista da corretora, engrossa o coro. “Não vamos reavaliar o papel devido aos últimos fatos”, diz. Até quinta, ação preferencial acumulava alta de 40,57% no ano.


DESTAQUE NO PREGÃO

Presidente novo, resultado ruim

Paulo Bonzanini não teve tempo de esquentar a cadeira de presidente da Nossa Caixa. O funcionário de carreira do Banco do Brasil será substituído pelo economista Demian Fiocca, ex-presidente do BNDES. Fiocca vai cuidar da integração com o novo proprietário. No primeiro resultado, já sob o comando do BB, a Nossa Caixa registrou um prejuízo de R$ 349 milhões no primeiro trimestre, numa espécie de faxina contábil. O BB também teve um revés. O lucro trimestral de R$ 1,66 bilhão é 29% menor que o registrado no mesmo período do ano passado. As ações da Nossa Caixa estão em alta de 203% e as do BB em queda de 26% no período de 12 meses.

PALAVRA DE ANALISTA

O BB correu para explicar que os resultados negativos das duas instituições não estão ligados. A Nossa Caixa só terá o balanço incorporado ao do BB nos resultados do segundo trimestre. Na quinta-feira 14, data do anúncio da queda do lucro, a ação do BB teve alta de 4,4%, enquanto o Ibovespa subiu 1,6%. “Parece que não houve impacto”, diz Clodoir Vieira, analista da Souza Barros. Para quem tem a ação da Nossa Caixa, não há com que se preocupar. A previsão é que o capital seja fechado em pouco tempo, com a recompra das ações pelo preço já firmado com o BB. “O acionista minoritário receberá tag along de 100%”, afirma Catarina Pedrosa, do Banif Securities.


BM&FBOVESPA
Fusão completa

Agora é pensar para a frente. O balanço do primeiro trimestre de 2009 marca o fim do processo de união das bolsas Bovespa e BM&F. A redução no quadro de funcionários foi de quase 30% e não houve descontinuidade de nenhuma linha de negócios, destacou o presidente Edemir Pinto. A BM&FBovespa lucrou R$ 227 milhões líquidos até março, numa queda (pro forma) de apenas 1,4% em relação ao primeiro trimestre de 2008. A queda nas receitas foi de 20%. O diretor financeiro Carlos Kawall destacou a recuperação da média diária de contratos de derivativos, para 1,47 milhão, e o fluxo positivo dos investimentos estrangeiros, de R$ 1,4 bilhão.



Justiça
Aceita cartão?

A Visanet finalmente protocolou na Comissão de Valores Mobiliários o novo pedido para o registro de sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Se for adiante desta vez, a Visanet será a segunda grande empresa neste ano a tentar reabrir o mercado de lançamento de ações, que murchou no ano passado com a crise do subprime. A primeira foi a concorrente Redecard, que captou R$ 2,1 bilhões em março. A intenção da companhia que captura os dados dos cartões Visa é fazer uma oferta maior ainda, provavelmente mais que o dobro. As ações a serem vendidas pertencem aos atuais controladores, o Bradesco, o BB Investimentos, o Santander e a Visa International, entre outros. As ações da Redecard caíram 7% em 2008 e subiram 7% no ano, até a quinta-feira.

FIQUE DE OLHO: O BC quer aumentar a concorrência no mercado de cartões (leia reportagem à pág. 92). Visanet e Redecard podem ser afetadas.

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