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Dinheiro em ação
por Milton Gamez

PAPÉIS AVULSOS

O fenômeno da bolsa

Até que ponto vai o fôlego do Ibovespa? Na semana passada, o índice voltou a ultrapassar os 50 mil pontos e acumulou, até a quinta-feira 7, uma alta de 33% no ano. Para quem estava no fundo do poço há pouco tempo – chegou a 29,4 mil pontos em outubro –, o desempenho é fenomenal. O Ibovespa está para o mercado financeiro como Ronaldo para o futebol brasileiro. O atacante do Corínthians voltou aos gramados nacionais fora de forma e acima do peso, com pouca movimentação em campo. Mas nada disso interessa para a torcida quando os pés de Ronaldo dominam a bola e fazem gols atrás de gols, massacrando os adversários. Muitos investidores que se empolgam com o Ibovespa neste momento não querem saber se as empresas terão um desempenho econômico brilhante nos próximos meses, que justifique a alta das ações. Basta que elas subam, como a bola em direção ao gol. Comprar ações nesse momento de euforia é tão arriscado quanto disputar uma partida de futebol: você pode acabar ferido. O melhor é ir com calma e aproveitar os momentos certos para dar os melhores chutes na bolsa. Quem tem puxado o Ibovespa são os estrangeiros, os mesmos que o derrubaram anteriormente. “A confiança está de volta. Não teremos a volatilidade do ano passado, será difícil voltar para os 30 mil, 35 mil pontos. Mas não dá para dizer que 50 mil é o novo piso. Ainda teremos volatilidade”, afirma Nicholas Barbarisi, sócio da Hera Investimentos.


DESTAQUE NO PREGÃO

Bancos lucram menos

Os primeiros balanços trimestrais dos bancos neste ano mostram os efeitos da crise no Brasil: os lucros caíram e a inadimplência aumentou. De um modo geral, no entanto, os grandes bancos de varejo passaram no “teste de estresse” local. De janeiro a março, o Itaú Unibanco contabilizou um lucro líquido de R$ 2 bilhões, com rentabilidade anualizada de 18,2% sobre o patrimônio líquido médio. No mesmo período do ano passado, a rentabilidade somada dos dois bancos foi de 27,1%. No caso do Bradesco, o lucro caiu 9,6% no período, para R$ 1,72 bilhão. A rentabilidade cedeu de 28,7% para 21%. Para Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco, a crise teve pelo menos um aspecto positivo: o banco não perdeu participação de mercado., como poderia ter ocorrido (devido ao processo de fusão) caso o crédito tivesse mantido o ritmo de crescimento anterior.

PALAVRA DE ANALISTA

Jayme Alves, analista da Spinelli, recomenda a compra das ações dos bancos Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil. “Comparativamente aos bancos internacionais, eles estão em situação muito melhor”, diz. Os brasileiros não carregam ativos exóticos, têm mais transparência nas carteiras de crédito e são pouco alavancados. Além disso, subiram no ranking dos maiores do mundo. E daí? Como os investidores estrangeiros comparam ações em todos os continentes e fazem compras no Brasil, tendem a puxar as cotações ainda mais por aqui. Um ponto de preocupação é a inadimplência. No Bradesco, os atrasos acima de 90 dias subiram de 3,6% para 4,3%.


Petroqu ímica
O triunfo da Braskem

As ações preferenciais da Braskem subiram 17,5% em sete dias, até a quinta-feira 7. Duas notícias mexeram com os papéis na semana. A Braskem, comandada por Marcelo Odebrecht, irá incorporar a Triunfo, depois de uma longa batalha judicial perdida pela família Gorentzvaig, que disputava o controle da petroquímica gaúcha com a Petrobras. Acionista das duas, a estatal levou a melhor nos tribunais. E a Braskem apresentou lucro de R$ 9,7 milhões no primeiro trimestre. É uma cifra 88% menor que a do mesmo período no ano passado, mas não deixa de ser um alento diante do prejuízo de R$ 2,5 bilhões em 2008. A empresa já voltou a operar a plena capacidade, depois de chegar a 55% de utilização em dezembro.



Justiça
Crime na Sadia

O Ministério Público Federal de São Paulo apresentou na quarta-feira 6 a primeira denúncia do País por crime de informação privilegiada. Foram denunciados o ex-diretor financeiro da Sadia Luiz Gonzaga Murat Júnior, o ex-conselheiro da empresa Romano Alcelmo Fontana Filho e o exsuperintendente de empréstimos estruturados do ABN Amro Bank Alexandre Ponzio de Azevedo. Eles fizeram transações com ADRs da Sadia nos Estados Unidos na época da oferta de compra da Perdigão, em julho de 2006, valendo-se de informações privilegiadas. As penas previstas vão de um a cinco anos de prisão. Se a moda pega, o mercado de capitais sairá ganhando.

FIQUE DE OLHO: Luiz Felipe Pedreira Dutra, ex-diretor financeiro da AmBev, fez acordo com a CVM para encerrar um processo envolvendo a venda privada de ações da empresa por um dos seus controladores, Marcel Hermann Telles, em junho de 2003. O escândalo foi denunciado pela DINHEIRO na época.

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