10 perguntas para Daniella Vitale Carolina Guerra
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"A loja da Gucci no Iguatemi tem ido tão bem quanto as que temos nos EUA" |
Por muito tempo a italiana Gucci olhou para o Brasil com desconfiança. Nos últimos anos, contudo, essa visão mudou proporcionalmente ao crescimento da economia. Prova disso é que a grife, dona de um faturamento de 2,4 bilhões de euros, já possui duas lojas por aqui e quer mais. Depois de inaugurar um ponto no shopping paulistano Iguatemi, em dezembro de 2008, a marca estuda abrir mais lojas no Rio de Janeiro e em Brasília. Na semana passada, Daniella Vitale, presidente da marca para as Américas, veio ao País e falou à DINHEIRO. Acompanhe:
DINHEIRO - Quais os planos da Gucci para o Brasil?
DANIELLA VITALE - O Brasil é um mercado emergente para nós. Mas a loja que abrimos recentemente no Shopping Iguatemi tem ido tão bem quanto nossas lojas nos Estados Unidos. É certo que queremos abrir mais pontos em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Brasília e outras capitais. Estamos um pouco atrasados com nossa entrada por aqui.
DINHEIRO - Por que a grife demorou?
DANIELLA - Porque queríamos encontrar a locação ideal para nossa loja do Iguatemi. Teria que ser um ponto que valorizasse a Gucci. Este processo demorou dois anos. Enquanto estiver aqui, analisarei novas locações para futuras lojas.
DINHEIRO - Como manter o crescimento em um cenário de crise?
DANIELLA - A questão se resume a foco e disciplina. Estamos indo melhor que a maioria, mas não é o momento de diversificar os negócios ou investir como normalmente faríamos. Pretendemos agir assim até o final da crise.
DINHEIRO - Esta é uma diretriz do Grupo PPR, conglomerado de marcas do qual a Gucci faz parte?
DANIELLA - O PPR permite que a marca continue fiel às suas origens e ainda nos dá um tremendo apoio. É óbvio que há um dono do grupo (o francês François Pinault) e que traçamos diretrizes a partir do que ele espera de nós. Mas posso dizer que eles são ótimos parceiros.
DINHEIRO - Qual o legado deixado pelo ex-presidente Domenico De Sole e pelo estilista Tom Ford?
DANIELLA - Domenico e Tom reorganizaram a Gucci e nos livraram da falência. Seria uma marca diferente sem os dois, mas agora estamos em outro momento que também é bem-sucedido.
DINHEIRO - Em 1982, Maurizio Gucci, da terceira geração da família Gucci, disse que a grife deveria lançar moda e não segui-la. A sra. concorda?
DANIELLA - Nós lançamos moda, sim. Não acredito que somos seguidores e nem que um dia viremos a ser. É claro que olhamos o mundo ao nosso redor e o que a concorrência está fazendo.
DINHEIRO - A Gucci já considerou a possibilidade de produzir fora da Itália, como forma de baixar os custos?
DANIELLA - Não. Queremos continuar a ser o que somos. Um dos pilares da Gucci é oferecer produtos fabricados na Itália. É o que traz as pessoas de volta a nossas lojas.
DINHEIRO - Este é o segredo para se manter uma marca de luxo?
DANIELLA - Penso que o luxo é um conceito definido por cada indivíduo. Sempre oferecemos um produto de qualidade com uma forte relação de custo-benefício.
DINHEIRO - Sabe-se que um grupo de 20 brasileiras está na fila de espera para comprar uma bolsa inspirada em um modelo, que custa R$ 70 mil, usado por Jackie Kennedy. Como explicar este comportamento?
DANIELLA - Este é um exemplo perfeito de como nossos clientes pretendem gastar seu dinheiro. A bolsa em questão é um item feito à mão, que tem história e também é um acessório fashion. Algo assim inspira as pessoas a gastar. Esta bolsa é nossa peça número 1 no momento.
DINHEIRO - Algumas pessoas estão começando a usar o termo luxury shame (termo em inglês que se refere ao constrangimento pela ostentação) para se referir às marcas de luxo. O que a Gucci faz para sair deste estigma?
DANIELLA - Parte de nossa estratégia é ser socialmente responsável e estar conectado com a comunidade em que estamos presentes. A maior parte de nossa base de clientes considera a responsabilidade social um item essencial. |