O banco dos caminhoneiros De olho no crescimento do turismo interno, o grupo americano IHG anuncia o lançamento de 40 novos hotéis no Brasil
ROSENILDO GOMES FERREIRA

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"É na crise que precisamos estar com o pé no acelerador"
José francisco ribeiro, do banco mercedes-benz |
Os vendavais da economia mundial parecem distantes do Banco Mercedes-Benz. Desde a mudança cambial em 1999, o braço financeiro da montadora alemã não quer saber de dívidas em dólar. Naquela época, 53% das operações de crédito estavam vinculadas à moeda americana. Com a desvalorização de quase 300%, a matriz mandou uma determinação expressa: qualquer negociação precisa estar atrelada à moeda local. Era uma maneira de evitar sustos. Por isso, o salto de aproximadamente 40% do dólar no segundo semestre do ano passado ficou longe de esvaziar o cofre do Banco Mercedes-Benz. Isoladamente, os cuidados com o câmbio têm influência secundária quando se trata de balanço. A escassez de crédito, que atingiu todas as instituições financeiras, tem um peso maior para o número azul do trimestre aparecer.
Entretanto, o Banco Mercedes-Benz enxergou uma pista de mão dupla e foi guiado contra as nuvens negras. Os primeiros três meses deste ano foram os melhores da história do banco da montadora no País. Os financiamentos chegaram a R$ 684,6 milhões, um acréscimo de 42% na comparação com o mesmo período de 2008.
Quem olha a marca das três ponticularidade tas pode estar se perguntando: como é possível crescer o empréstimo para aqueles carrões de luxo? Os automóveis, que fazem parte do sonho de consumo dos amantes da tecnologia sobre quatro rodas, representam só 1% do crédito liberado pelo Banco Mercedes-Benz. O dinheiro liberado vai diretamente para financiar as novas frotas de caminhões e ônibus que rodam por estradas e cidades brasileiras. Essa particularidade faz o banco da montadora contar com um funding específico, sem a necessidade de recorrer ao mercado interno ou internacional. “Nosso funding tem características diferentes. O BNDES é o grande financiador”, diz José Francisco Ribeiro, diretor comercial do banco Mercedes-Benz.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), através do Finame, uma linha específica de crédito para máquinas e equipamentos novos, é quem fornece os recursos para a troca de veículos novos. No Banco Mercedes-Benz, 82% dos financiamentos de caminhões e ônibus são feitos através do Finame. No ano passado, a média dessa linha de crédito do BNDES para todos os bancos de montadoras foi de 50%, de acordo com a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). O próximo passo é participar do financiamento de veículos usados com o Finame. É a primeira vez que o BNDES vai emprestar recursos para a compra de caminhões e ônibus com até oito anos. A restrição é que até 80% sairão do bolso do banco oficial. “É mais uma iniciativa do governo para fomentar o mercado de veículos, após a redução do IPI (dos automóveis)”, diz Ribeiro.
A carteira de crédito de R$ 4,9 bilhões do Banco Mercedes-Benz só chegou a esse patamar pelos cavalos de potência que foram despendidos no quarto trimestre do ano passado, apesar de o crescimento vir desde 2004 (ver tabela). Como a crise mundial provocaria estragos, Ribeiro fez parte do grupo de trabalho, reunindo diversas montadoras, que levou a proposta ao governo federal para baixar imposto sobre produtos industrializados (IPI) e manter a indústria automobilística aquecida. A medida servia tanto para veículos comerciais, o maior nicho de financiamento da Mercedes- Benz, como para os veículos para pessoa física. “Banco de montadora precisa acelerar sempre”, diz Ribeiro. “É em momentos de crise que precisamos estar com o pé no acelerador”, completa.
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