Resgate nos escombros da crise global Como e por que o banqueiro André Esteves recomprou o Pactual, por US$ 2,5 bilhões, três anos depois de sua venda ao suíço UBS
Milton Gamez

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"Se fosse caro, não teria comprado, teria vendido"
ANDRÉ ESTEVES, COMPRADOR DO UBS PACTUAL |
O banqueiroAndré Esteves está com a faca e o queijo na mão. No caso, um queijo suíço. O brasileiro recomprou o Banco Pactual três anos depois de tê-lo vendido ao UBS, por US$ 3,1 bilhões. O negócio, fechado em Nova York às 7h30 do domingo 19, por quase US$ 2,5 bilhões, é sintomático dos novos tempos das finanças mundiais. Esteves e seus sócios têm muito dinheiro em caixa, apostam no Brasil e estão ávidos por ficar ainda mais ricos e influentes. Os suíços, por outro lado, tentam juntar os cacos da crise do subprime, que obrigou o governo helvético a socorrê-los. Perderam US$ 17,8 bilhões em 2008, o maior prejuízo da história daquele país, e mais US$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre de 2009. Além disso, sofreram processos da Justiça dos Estados Unidos por facilitar a evasão fiscal para milhões de americanos e foram obrigados a abrir o sigilo bancário de seus clientes. Essa reviravolta sem precedentes no sistema financeiro suíço, famoso por abrigar recursos de milionários honestos e desonestos do mundo todo, resultou em saques de US$ 23 bilhões do UBS. Avenda da operação brasileira era inevitável.
Esteves, um jovem de apenas 40 anos de idade, era o homem certo na hora certa. No dia 4 de abril aconteceu o telefonema que ele esperava há meses. Era um emissário do presiden-te do UBS, Oswald Grüebel, com a boa notícia: os suíços aceitavam ven-der o UBSPactual de volta. "Tem que ser uma negociação rápida. Esob sigi-lo absoluto. Se vazar, cancelamos tudo", avisou. "Concordo", respondeu Esteves. Dito e feito. O brasileiro, que no ano passado reuniu ex-sócios e fun-cionários do Pactual numa empresa de investimentos, o BTG - Banking and Trading Group, não perdeu um segundo. Chamou o sócio Jon Bisgaier, um advogado que atuou na compra do Pactual a favor do UBSe depois uniu-se à BTG, para preparar a papelada. Bisgaier enviou um e-mail na mesma hora para Alan Myers, do seu antigo escritório Skadden, em Nova York, solicitando uma reunião para tratar do negócio. Myers estava mergulhando na costa da Austrália, próximo a Papua-Nova Guiné, e não viu a mensagem na hora. Mais tarde, tão logo conseguiu sinal novamente em seu BlackBerry e leu o e-mail, fez as malas e voltou para Nova York. Esteves, Bisgaier e outro sócio do BTG, Marcelo Kalim, foram para lá amarrar a proposta de compra.

O LONDRINO: Persio Arida (acima) economista global do banco, mora na Inglaterra
O trabalho andou rápido. Em apenas uma semana, no domingo 12, os executivos do UBSna Suíça receberam a oferta de Esteves. O cálculo do valor e o trabalho jurídico envolvido foram complicados, pois o UBSainda devia US$ 2,1 bilhões para os vendedores do Pactual, a serem pagos a partir de 2011, e todos os contratos individuais tiveram de ser revistos e trazidos a valor presente. O negócio foi fechado no domingo seguinte, por US$ 2,475 bilhões, no mesmo endereço de onde o brasileiro saíra bilionário, em 2006: Times Square, número 4, sede da Skadden. Marcelo Kalim imediatamente enviou um e-mail para o colega Roberto Sallout, que estava em São Paulo. Às 8 horas do domingo 19, Sallout e os sócios Antonio Carlos Porto, o Totó, e James Oliveira começaram a comunicar a notícia aos demais acionistas da BTG. Na tarde da segunda-feira, todos se reuniram novamente na sede da BTG, em São Paulo. Uma simples salva de palmas dos funcionários celebrou a volta da turma ao topo do mercado de investimentos brasileiro. "Fizemos um bom negócio", disse Esteves à DINHEIRO. "Queremos ser o Goldman Sachs brasileiro", resumiu.
O Goldman Sachs, um dos sobreviventes da crise do subprime, é um modelo que agrada a Esteves e a seus sócios. O novo BTG Pactual nasce como uma sociedade meritocrática, em que os principais banqueiros são acionistas, trabalham no negócio e dividem 30% dos lucros com todos os funcionários, em forma de bônus, conforme o resultado e a contribuição estratégica de cada um. Aequipe atual do UBSPactual foi convidada a ficar. A soma das duas instituições deve resultar em um banco com 60 sócios e 850 funcionários. O pequeno BTG, que administra ativos de US$ 1,5 bilhão (R$ 3,3 bilhões), compra um gigante com R$ 57 bilhões de recursos sob gestão e ativos totais de R$ 14 bilhões. Com escritórios em Nova York, Londres e Hong Kong, o BTG Pactual será um banco de investimentos nacional com alcance global. Um dos principais sócios é Persio Arida, que mora em Londres e é o economista-global do grupo. "Nascemos globalizados. 60% das receitas do BTG vêm do Exterior", diz Totó. "Somos o único banco de investimentos nacional independente e isso nos dá uma vantagem competitiva no mercado atual", afirma Sallout. Seu principal concorrente local, agora, passa a ser o Itaú BBA.
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MUDANÇA DE PLACA: sai UBS, entra BTG na sede do banco em São Paulo |
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