O dinheiro do marido sumiu Por Carlos Sambrana

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Com a crise econômica, as esposas dos banqueiros de Wall Street tiveram de aprender a gastar menos e passaram a adotar novos comportamentos
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Recentemente, alguns dos executivos da seguradora American International Group (AIG) foram duramente criticados por receberem bônus milionários - mesmo depois de a empresa, quase falida, ser socorrida pelo governo americano com caminhões de dinheiro que somam quase US$ 200 bilhões. "Eles deveriam pedir demissão ou cometer suicídio", disse Charles Grassley, senador pelo Estado de Iwoa, no auge do escândalo. No meio dessas acaloradas discussões, uma voz chamou a atenção. Foi a de uma mulher que escreve no Dating a Banker Anonymous ou simplesmente Daba Girls, site criado por namoradas de banqueiros que perderam seus empregos ou boa parte de suas fortunas. Em vez de criticar a virulência com que o senador sugeriu o suicídio, ela limitou-se a dizer: "O senador pensou nas pobres garotas que estão namorando os funcionários da AIG? É claro que não, pois nunca teria sugerido a demissão." Para algumas delas, a privação de comprar uma bolsa Chanel ou um sapato Manolo Blahnik, de pedir garrafas de champanhe Bollinger em um restaurante estrelado e de uma tarde de compras na Neiman Marcus é pior do que a morte! Imagine só, as demissões de milhões de pessoas causadas principalmente pelas desastrosas e gananciosas decisões dos banqueiros de Wall Street não são nada perto do que as socialites estão passando.
É triste, mas tão triste a situação, que algumas tiveram de parar de usar os jatinhos das empresas de seus maridos porque fotógrafos de grandes jornais estão fazendo plantão nos aeroportos para capturar imagens da mamata custeada pelo contribuinte americano. Esse caso foi revelado pela esposa de um banqueiro de Wall Street que escreveu um artigo, de forma anônima, para a revista americana Portfolio. Sua vida foi transformada da noite para o dia, pois, além da perda de patrimônio, ela teve de aprender táticas para passar longe do escrutínio da imprensa e da sociedade que cobram um estilo de vida mais discreto, menos extravagante, das famílias dos funcionários das mais de 400 empresas que receberam dinheiro do governo dos Estados Unidos. "Este ano não pudemos comemorar o aniversário do meu marido em um restaurante estrelado do Guia Michelin", diz a viúva de Wall Street. Isso não quer dizer, entretanto, que ela deixou de celebrar em um restaurante caro. A saída foi procurar um lugar bem longe dos flashes.
Os hábitos de opulência e ostentação tiveram de ser mudados radicalmente. Como um devedor que foge do oficial de Justiça para não assinar a intimação, o casal passou a correr dos fotógrafos. "Agora chegamos mais tarde em festas black-tie. É o tempo de o fotógrafo da coluna social ter ido embora." Convites que recebem de museus? Vão diretamente para o lixo porque sabem que essas instituições, no fundo, querem doações. Para poupar dinheiro eles fazem refeições em casa, assistem aos programas de televisão como quaisquer mortais e pedem aos filhos para apagarem as luzes quando não estão no quarto. De perdulária e arrogante, ela transformou- se de uma hora para outra em poupadora, supersticiosa, responsável e humilde. Agora bate na madeira para afastar mau- olhado, recicla materiais para preservar o meio ambiente e, acredite, conversa até com operador de telemarketing. A mudança, definitivamente, foi radical. O marido, diz ela, ficou com os olhos amarelados, os cabelos estão mais brancos e acorda no meio da noite preocupado. Frequentemente, ele pede desculpa a ela por ter cometido tantos erros e ter perdido tanto dinheiro - 95% do patrimônio do casal derreteu em ações desvalorizadas. Bem-vindos ao mundo real! |