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Ideiasnet sem brilho
Nos últimos anos, a empresa vinha se recuperando, mas a crise no mercado de computadores interrompeu sua ascensão

ROBERTA NAMOUR

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montagem sobre foto de paulo jares
George ellis, fundador da companhia

Em junho do ano passado, a Ideiasnet, companhia de participação em negócios de tecnologia e internet, parecia ter feito o último ajuste necessário para, finalmente, decolar. O empresário peruano Luis Alberto Monteiro Lobato Reátegui assumiu a presidência da empresa com a meta de buscar investimentos mais expressivos e preparar a saída de seu portfólio do grupo de companhias já maduras. Sua entrada fechou um ciclo rumo à profissionalização, iniciado em fevereiro de 2008, com a saída do fundador George Ellis da presidência do conselho, para dar lugar a Carlos Aguinapa, especialista em mercado de capitais. A mudança resultou na entrada do empresário Eike Batista na companhia. A EBX, holding do empresário, adquiriu 47% do lote de novas ações emitidas pela Ideiasnet, no valor de R$ 100,5 milhões. O aporte financeiro, no entanto, não impediu que o lucro despencasse. O balanço de 2008 mostrou que a viagem rumo ao crescimento teve de ser adiada. A Ideiasnet fechou o ano com uma queda de 63% no lucro líquido, que ficou em R$ 3,6 milhões. Além disso, enquanto a bolsa teve uma valorização de mais de 17% no acumulado de 2009, a desvalorização de seus papéis foi de 3 %, até o dia 8 de abril. A ação da Ideiasnet - primeira empresa de internet brasileira a fazer um IPO -, que já chegou a valer R$ 11, hoje gira em torno de R$ 2 - o máximo que chegou em um ano foi R$ 8,49. "A queda é reflexo do impacto da variação cambial, um movimento normal em momento de crise", afirma Luis Reátegui. "Mesmo assim, não houve impacto na nossa operação." O Credit Suisse discorda. No relatório sobre a empresa, o banco se diz "preocupado com a Ideiasnet em relação à potencial desaceleração nas vendas de infraestrutura de telecom e de hardware por causa da economia mais fraca". A grande estrela do ano no balanço da companhia foi a Officer, distribuidora de produtos de informática, que representa quase 85% do faturamento do grupo. Em 2008, a Officer obteve EBITDA de R$ 24,9 milhões, crescimento de 80,5%, em relação a 2007. "Esta empresa foi impactada pela crise no segmento de computadores. A indicativa para 2009 é uma queda maior", diz a analista Beatriz Battelli, da Brascan Corretora.

R$ 3,6 milhões foi o lucro líquido do grupo em 2008 - queda de 63%

A conjuntura econômica não diminui o otimismo do novo presidente. "O momento é desafiador, mas a empresa vive o melhor posicionamento de sua história", afirma Reátegui. Desde a fundação, em 2000, é a primeira vez que a empresa acumula R$ 54 milhões em caixa. "Estamos até estudando novas aquisições", revela Reátegui. Para Beatriz Battelli, o futuro da empresa não é tão desesperador. Ela acredita que o crescimento de outras empresas do grupo poderá ajudar na superação da Ideiasnet.

 


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