Lily dá adeus ao Brasil Saiba os motivos que levaram a bilionária brasileira a colocar o Ponto Frio à venda e quem são os candidatos a ficar com a segunda maior rede varejista do País
ADRIANA MATTOS E JOAQUIM CASTANHEIRA

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LILY SAFRA: o desejo de vender o Ponto Frio existe há cerca de dez anos, mas o estilo duro de negociação dela tem impedido a concretização do negócio |
UM COMUNICADO ENVIADO à CVM na semana passada tornou oficial aquilo que circulava há anos pelos corredores do mundo corporativo. No documento, a Globex, a holding cuja principal acionista é a bilionária brasileira Lily Safra, coloca à venda seu principal negócio no País, o Ponto Frio, a segunda maior rede de varejo de móveis e eletrodomésticos do Brasil. Junto com seu enteado Carlos Monteverde, Lily detém o controle da empresa, com 70% do capital. Candidatos interessados nos ativos não faltam. São nove grupos nacionais e estrangeiros dispostos a arrematar uma cadeia formada por 485 lojas, 12 mil funcionários e faturamento de R$ 4,7 bilhões. Até o dia 20 deste mês, todos deverão apresentar suas propostas ao Goldman Sachs, o banco contratado por Lily para encontrar um comprador para o Ponto Frio. Caso nenhuma das ofertas faça os olhos dos dois acionistas brilharem, um plano B será colocado em execução: uma oferta pública de ações para pulverizar o capital da companhia, um caminho semelhante ao adotado pela JC Penney, ao se desfazer dos papéis da Lojas Renner em 2005. Essa alternativa, porém, depende da redução da volatilidade do mercado de capitais, o que pode levar alguns meses ou mais.
Os candidatos à compra
O que os interessados na rede Ponto Frio podem ganhar com a aquisição
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458 lojas do Ponto Frio faturaram R$ 4,5 bilhões em 2008 |
Qualquer que seja o caminho escolhido, a transação significará a concretização de um projeto alimentado por Lily e Monteverde há cerca de dez anos: passar o Ponto Frio adiante. Os dois mantêm atitude de frieza diante da empresa. Lily se tornou acionista do grupo depois da morte de seu marido Alfredo Monteverde, o dono do Ponto Frio. Carlos é filho de um casamento anterior de Alfredo. Durante alguns anos, filho e madrasta mantiveram uma relação tensa. Um acordo de acionistas, porém, apaziguou os ânimos. Além disso, a venda da empresa era um objetivo comum aos dois. Carlos vive em Londres e, segundo o comentário irônico de um conhecido, “só vem ao Brasil uma vez por ano – para receber os dividendos da empresa.” Não é um homem do varejo e tampouco possui uma ligação sentimental com a empresa. Aos 76 anos e dona de uma fortuna pessoal estimada em R$ 1,6 bilhão, Lily encontra-se em situação semelhante. Recentemente, vendeu sua casa na França e se fixou de vez em Mônaco, onde vivia com Edmond Safra, seu terceiro marido, morto em 1999. Entre o final de dezembro de 2008 e a segunda quinzena de janeiro deste ano, instalou-se em uma casa no Morumbi, bairro nobre de São Paulo, para acompanhar o processo de venda do Ponto Frio. Assim como ocorre com Carlos, o varejo não a motiva. Sua maior preocupação reside em equacionar a sucessão para seus três filhos – e para isso precisa se desfazer da rede de lojas.
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