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Thomas Besson, presidente da Nissan Mercosul
POR HUGO CILO

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Desde de que a crise internacional nocauteou as vendas de veículos nas maiores economias do mundo, o presidente da Nissan Mercosul, o francês Thomas Besson, tornou-se um dos executivos mais consultados dentro do staff da matriz. Embora tenha 36 anos, suas decisões ganharam destaque dentro da estratégia global da companhia. Não por acaso. No embalo do crescimento do mercado no ano passado, a marca vendeu mais de 17 mil unidades no País, bem acima das 11,8 mil de 2007, o que rendeu à montadora o primeiro lucro desde que desembarcou por aqui, em 1999. Graças a isso, a Nissan abriu os olhos para o Brasil, anunciou modelos, intenção de investimento para a fábrica em Curitiba e já planeja saltar do atual 1% de participação para 5% em três anos. "A crise tem nos dado chance para crescer", afirmou. Em entrevista à DINHEIRO, Besson justifica tal otimismo.

DINHEIRO - O setor automotivo, em decorrência da proliferação e do agravamento da crise, sofreu a maior retração de vendas em quase 60 anos. E o poço parece não ter fim. Quando a situação vai se estabilizar?
THOMAS BESSON - É difícil estabelecer um prognóstico global porque as economias têm reagido de formas diferentes. Os problemas são diferentes. Na minha opinião, a crise pode demorar três ou quatro anos para ser completamente resolvida. Mas isso não significa que as vendas vão cair du- Entrevista / Thomas Besson, presidente da Nissan Mercosul rante todo esse tempo. A situação é complicada nos Estados Unidos, no Japão e em alguns países da Europa, mas está melhor em mercados como o Brasil e a China.

DINHEIRO - Brasil e China são exceções?
BESSON - Neste momento, sim. É claro que as chances de recuperação dos grandes mercados são grandes. Não podemos ignorar o potencial dos consumidores americanos, apesar da crise, nem a capacidade de crescimento das economias europeias. Mas é fato que, neste cenário de rápido encolhimento das vendas, alguns países demonstram maior potencial. Por isso, hoje o Brasil e a China são as saídas para o setor automotivo.

DINHEIRO - Por que o Brasil? BESSON - Por várias razões. Primeiro porque ainda existe muito espaço para o carro zero-quilômetro. Muitos consumidores estão à espera de uma melhora do cenário econômico para comprar um carro novo. Segundo porque o Brasil tem uma das maiores taxas de juros do mundo, mesmo depois dos recentes cortes. Se as vendas no ano passado surpreenderam mesmo com aqueles juros elevados, imagine se houver um corte mais agressivo. Quero dizer com isso que nas maiores economias do mundo já não há espaço para cortes porque chegaram ao limite. Mas aqui no Brasil o governo tem poderosos instrumentos de estímulo ao consumo, seja no corte dos juros, seja na redução dos impostos, como o IPI.

DINHEIRO - A redução do IPI anunciada pelo governo no primeiro trimestre foi prorrogada por mais um trimestre. Isso basta para manter o ritmo de vendas?
BESSON - Não basta, mas sem dúvida ajuda muito. Três fatores são importantes para garantir o crescimento do setor automotivo: juros, desoneração e disposição de compra. Os juros estão em queda, a desoneração já existe e foi ampliada porque o governo considerou necessário e, por fim, a disposição do consumidor vai se normalizar assim que a crise começar a se estabilizar. Nesse grupo, a redução do IPI é fundamental.

DINHEIRO - Qual a sua previsão para o mercado brasileiro neste ano?
BESSON - Imagino que a produção vai ultrapassar 2,4 milhões de unidades, com o reaquecimento das vendas e da exportação no segundo semestre. Desse total, a Nissan vai passar do atual 1% para algo ao redor de 1,6% ou 1,7% de market share. Minha avaliação é pessoal, não reflete as projeções da matriz, que não posso revelar nesse momento.

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