Fortunas no celular Uma nova geração de empresários enxerga nos aparelhos móveis a chance de lucrar como fizeram os pioneiros da internet. Saiba como você pode surfar nessa onda
AMAURI SEGALLA E CARLOS SAMBRANA
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NOMES Roberto Dariva
IDADE 34
EMPRESA Navita |
No último Natal, o MorumbiShopping, em São Paulo, se viu diante de um dilema. Como fazer uma ação que chamasse a atenção das famílias e se diferenciasse dos demais concorrentes? Afinal, muitos iam ao shopping apenas para que as crianças vissem o Papai Noel – tática usada por todos os shoppings da capital paulista. Foi aí que entrou o trabalho da SupportComm, empresa de dados para celular fundada em 1999. “Criamos uma ação inovadora para eles”, diz Alberto Leite, 33 anos, presidente da empresa. Quando as crianças se postavam para a foto, uma promotora do shopping tirava uma fotografia pelo celular e, imediatamente, enviava a imagem por meio de bluetooth para um sistema conectado a oito telões localizados em pontos estratégicos do shopping. “Essa é apenas uma das ferramentas que dispomos hoje”, diz Leite. Fundada em 1999, como uma empresa que fazia automação de call center, a SupportComm transformou-se numa das maiores do setor de dados para celular. Detalhe: entrou nesse mercado em 2003, quando comprou a w-Aura.
“Mas foi em 2008 que começamos a explorar novas áreas como mobile marketing, pagamento via celular e SMS”, explica Leite. A aposta mostrou- se promissora. No ano passado, a empresa faturou R$ 29 milhões e, para 2009, a meta é chegar a R$ 36 milhões. Cerca de 45% do faturamento da empresa vem do desenvolvimento de sites terceirizados de operadoras como, por exemplo, Vivo e Claro. “Fazemos os portais das empresas na internet e no celular”, diz Leite. Por enquanto, a companhia não entrou no desenvolvimento de aplicativos, mas é um caminho inevitável, já que atua em todas as áreas que envolvem negócios no celular.
| CELULAR QUE TRADUZ IDIOMAS |
No início de março, um funcionário contratado pela Navita, empresa especializada na criação de dispositivos para BlackBerry, recebeu uma ligação telefônica de um italiano. O sujeito, que estava em seu país, tinha dúvidas sobre o funcionamento de um programa de tradução que a Navita desenvolveu para o smartphone fabricado pela canadense Research in Motion (RIM). O episódio ilustra como uma pequena empresa pode, de uma hora para outra, se tornar global ao fazer um aplicativo de sucesso. O software da Nativa, chamado de BBTranslator, traduz palavras e frases em seis idiomas diferentes. Desde que foi lançado, em fevereiro, o tradutor foi baixado por cinco mil usuários de BlackBerry – os pedidos vieram de dezenas de países. “Por enquanto, qualquer um que possua o aparelho pode baixar o programa de graça”, diz Roberto Dariva, um dos fundadores da Navita.
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NOMES Marcelo Condé
IDADE 36 anos
EMPRESA Spring Wireless |
A ideia é oferecer o BBTranslator como uma espécie de aperitivo. Quando a loja virtual da RIM começar a funcionar (o que deve acontecer no primeiro semestre nos Estados Unidos, e até o final do ano no Brasil), Dariva espera faturar alto. Ele vai colocar na rede mobile uma versão mais completa do tradutor, com outros idiomas disponíveis. Desta vez, o serviço será pago. O preço deve ficar em torno de US$ 9,99. Pelas normas da RIM, a Nativa embolsa 80% desse valor, ou cerca de US$ 8. Isso significa que, se cinco mil aplicativos forem vendidos, a parte que cabe à empresa brasileira será equivalente a US$ 40 mil. Mas cinco mil downloads do programa de tradução é uma projeção exageradamente tímida. “Não sabemos quanto, mas a tendência é que um número muito maior que esse seja vendido.” Se isso acontecer, a empresa deve aumentar consideravelmente seu faturamento, hoje na casa dos R$ 4 milhões. A RIM estimula a parceria com empresas como a Navita. “Já abrimos inscrições para o programa de desenvolvedores de aplicativos para o BlackBerry”, diz Henrique Monteiro, coordenador da área de produto da RIM para a América Latina.
Assim como a Nativa, que focou os negócios na RIM, muitas empresas que estão surgindo nesse mercado preferem direcionar seu trabalho para uma única fabricante de celulares. É o caso da Finger- Tips, que prioriza a Apple. A empresa, sediada em São Paulo, cria programas para rodar no Iphone. Um deles, feito a título de brincadeira, é um sucesso impressionante. Trata-se do Oxo, como eles chamaram o bom e velho jogo da velha para celulares. Lançado no final de janeiro e vendido a módicos US$ 0,99, o joguinho foi baixado por 20 mil pessoas de países como Estados Unidos, México, Japão, Canadá, Índia e África do Sul. “Honestamente, ninguém da empresa esperava que fosse virar uma febre”, afirma Raul Ferreira, 38 anos, um dos sócios da FingerTips.
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