Fortunas no celular Uma nova geração de empresários enxerga nos aparelhos móveis a chance de lucrar como fizeram os pioneiros da internet. Saiba como você pode surfar nessa onda
AMAURI SEGALLA E CARLOS SAMBRANA
| NA MIRA DO GOOGLE E DO MIT |
O pernambucano Felipe Andrade deve ser um dos únicos brasileiros que recusaram uma proposta de emprego do Google. E não era uma proposta qualquer. No ano passado, ele foi chamado para trabalhar na divisão de novas tecnologias que a empresa possui em Londres, na Inglaterra. O convite incluía casa, rendimentos superiores aos que recebia e uma tremenda possibilidade de crescimento profissional. Mas Andrade preferiu ficar. O motivo? “A área de atuação da minha empresa vai crescer muito no Brasil e eu não quero perder essa oportunidade”, diz. Esse cientista da computação de 27 anos é dono da I2 Tecnologia, companhia sediada no Recife que cria jogos e aplicativos para celulares.
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NOMES Fabiano Destri
IDADE 34 anos
EMPRESA Pocket Midia |
Andrade montou a I2 em 2006 com o sócio Luciano Ayres, engenheiro de software de 28 anos que, como ele, é recifense e não troca a sua cidade por nada. A empresa surgiu como incubada do Instituto de Tecnologia de Pernambuco, que tem ajudado a fazer do Estado nordestino um dos polos de florescimento tecnológico do Brasil. Ases de informática, Andrade e Ayres desenvolveram nos últimos dois anos mais de 30 jogos de esportes, como futebol, vôlei e tênis, que podem ser acessados em smartphones. Também foram responsáveis por dezenas de aplicativos, a maioria deles para rodar em aparelhos fabricados pela Nokia.
No mundo mobile, são quase celebridades. Blogs e fóruns de discussão especializados em tecnologia não economizam elogios ao trabalho deles. A popularidade da dupla aumentou com a conquista do prêmio Nokia Sem Limites, conferido aos projetos mais inovadores. A I2 ficou em primeiro lugar com o aplicativo Rio Mobile, que permite a visualização das câmeras de trânsito do Rio de Janeiro em tempo real. “Suponha que você está em Ipanema e quer saber como está o tráfego em qualquer outro lugar da cidade. Basta acessar o aplicativo e a resposta virá, ao vivo”, diz Ayres. As ideias criativas e soluções tecnológicas criadas pela dupla chamaram a atenção do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Um programa desenvolvido pela I2, chamado de Flyer Framework, está sendo testado na universidade americana. “Eles nos convidaram para apresentar o projeto ao vivo”, diz Andrade. O sucesso é traduzido em dinheiro. No ano passado, a I2 faturou US$ 300 mil. Em 2009, as receitas devem saltar para US$ 2 milhões.
| THE NEW YORK POST NA TELA DOS CARIOCAS |
Quando a Apple lançou a App Store, sua loja de aplicativos, em 11 de julho de 2008, os empresários cariocas Alex Pinheiro, 36 anos, e Reinaldo Mello, 28 anos, já estavam preparados para a febre que se seguiria. Sócios na Gol Mobile, empresa que desenvolve soluções e conteúdo para celular, eles já tinham em mente alguns dos produtos que lançariam na badalada loja online da empresa de Steve Jobs. Tanto é que foram os primeiros brasileiros a lançar um aplicativo na App Store. Tratava- se do Brasil Flex, que faz a conta do consumo de gasolina e álcool do carro. Depois desse aplicativo, a Gol Mobile desenvolveu um jogo chamado Desafio e passou a criar produtos corporativos. “A base de iPhone no mundo vem crescendo ano a ano e as próprias agências de publicidade estão pondo o aparelho nos planos de mídia dos anunciantes”, diz Pinheiro. “Em vez de anunciar em um outdoor, elas estão buscando o iPhone.” Um projeto corporativo, diz Pinheiro, custa entre R$ 150 mil e R$ 250 mil.
Os resultados de comunicação para as empresas têm crescido na proporção do aumento da base de celulares 3G. A vantagem é ainda maior para marcas que possuem presença em vários lugares do mundo. Afinal, os aplicativos da App Store são distribuídos em mais de 70 países. “Dos 38 mil downloads dos nossos programas, 700 foram no Japão”, diz Pinheiro. O trabalho da empresa, quem diria, chamou a atenção dos editores do jornal americano The New York Post. Na última quinta-feira 26, a diretoria do jornal se reuniu com executivos da Gol Mobile, em Nova York, para discutir a produção de um aplicativo do Post. “Só de nos chamarem, mostra que o Brasil vai se tornar no desenvolvimento de aplicativos um dos maiores players do mundo. É o mesmo que aconteceu com as agências de publicidade brasileiras que são vistas como as mais criativas que existem”, diz Pinheiro.
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NOMES Alberto Leite
IDADE 33 anos
EMPRESA Support Comm |
Toda vez que um cliente que possui celular com bluetooth ligado entra num dos restaurantes de Sérgio Arno, ele recebe receitas exclusivas do chef de casas como La Vecchia Cucina, Alimentari e La Pasta Gialla. O sistema foi desenvolvido pela Pocket Midia, empresa que atua no mercado de mobile marketing. A empresa vive basicamente de boas ideias – que, aliás, não param de surgir. “Pensamos em iniciativas que possam criar uma relação amigável entre uma determinada companhia e seus clientes”, afirma Fabiano Destri, 34 anos, sócio da Pocket junto a um empresário francês. Foi Destri quem pensou em oferecer a qualquer pessoa que passe diante de um cinema a programação que está sendo exibida ali. O sistema, inédito no Brasil e que terá o patrocínio de uma grande rede cinematográfica, deve estrear nos próximos meses e poderá ser acessado por quem tiver bluetooth. Inovações simples como essa ajudam a Pocket a faturar, por ano, R$ 1,9 milhão.
Os novos empreendedores descobriram que o grosso do dinheiro do universo mobile está na publicidade. Uma das maiores agências do setor no Brasil, a Hands tem 80% de seu faturamento gerado por ações de marketing. Os outros 20% vêm da criação de sites móveis para empresas como Vale, Volkswagen, Climatempo e Claro. “Muitas companhias imaginam que basta pegar a página normal da internet e transferi-la para o celular”, diz César S. César, 38 anos, sócio da Hands. “São linguagens totalmente diferentes.” Segundo pesquisa informal da Hands, das 100 maiores empresas do Brasil, apenas quatro possuem sites móveis. Eis aí uma nova oportunidade para empreendedores.
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