Um caixa forte para a Caixa Governo prepara a criação de um braço de investimentos para o banco, que terá R$ 3 bi para comprar participações em empresas

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Sede do banco, em Brasília: CaixaPar terá estrutura enxuta, com apenas 20 funcionários
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Maria Fernanda Coelho, Presidente: "Negócios que forem importantes para a instituição serão incorporados"
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A lei está pronta e o
mercado já foi avisado. Dentro de algumas semanas, após uma longa espera de cinco meses, sairá do forno o braço de investimentos da Caixa Econômica Federal. Polêmica, a CaixaPar contará com um cofre de R$ 3 bilhões para comprar participações acionárias em construtoras ou empresas de qualquer outro setor, inclusive bancos pequenos e médios. Esse modelo, que contou com forte oposição do setor privado, ainda está em fase final de ajustes na diretoria da Caixa, mas alguns detalhes já estão garantidos. Presidido pelo vicepresidente de finanças do banco, Márcio Percival, a CaixaPar terá uma estrutura enxuta, com cerca de 20 funcionários deslocados do organograma da estatal. Eles se encontram, neste momento, analisando a papelada de pelo menos três bancos e sete construtoras, além da prospecção de outros negócios que possam se encaixar no modelo definido pela Lei 11.908, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início de março.
Outro fato que também já está definido é a absorção das participações que a Caixa tem na Caixa Seguros, na Caixa Visanet, na qual há parceria com a Visa do Brasil, e na Tecnologia Bancária, a Tecban. Os técnicos da Caixa avaliam que apenas esses ativos somem R$ 1,2 bilhão. "Estamos nos últimos trâmites legais para a publicação do estatuto", disse a presidente da Caixa, Maria Fernanda Coelho, durante uma audiência no Senado. "Negócios que forem importantes para a instituição serão incorporados."
Nesse escopo de novos negócios, a CaixaPar deverá priorizar operações em nichos que foram afetados pelo travamento de crédito que abalou o mercado financeiro, entre eles o financiamento de automóveis. Além disso, Percival já recebeu a orientação do Ministério da Fazenda para atuar também no aumento das operações que ainda representam lacunas no portfólio de produtos do banco, essencialmente especializado nos setores de habitação e saneamento, como crédito a médias empresas e a não clientes
Além da criação da CaixaPar, governo também está desenvolvendo o Banco de Investimento, com capital inicial de R$ 2,5 bilhões
empréstimos consignados e arrendamento mercantil (leasing). Para fazer girar o negócio, a CaixaPar poderá contar com recursos de captação da poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). "Em 2007, a capitalização do setor imobiliário foi espontânea, mas a crise está reduzindo esse fluxo", justifica Wilson Gomes, analista habitacional da Associação Brasileira de Mutuários e Moradores. "A medida é importante para o investimento e para a atividade econômica."
As operações, por sua vez, ficarão restritas às compras de debêntures de empreendimentos tocados por empresas de Sociedade de Propósitos Específicos, atendo-se apenas à participação, e não empresas inteiras, num modelo parecido com o da operação feita pelo Banco do Brasil e o Votorantim, quando a estatal comprou 49,9% do banco da família Ermírio de Morais. "Tanto com construtoras quanto com bancos, esse é o melhor modelo que a Caixa poderá adotar", explica Henrique Navarro, analista de bancos do Santander. "Do contrário, as empresas se tornariam instituições públicas e perderiam agilidade." Ainda assim, o prazo para as aquisições foi limitado para até 30 de junho de 2011, podendo ser prorrogado por mais um ano por meio de decreto do Executivo.
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