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"O mercado chinês está aberto para o Brasil"
POR DENIZE BACOCCINA E GUSTAVO GANTOIS

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O embaixador chinês Qiu Xiaoqi chegou ao Brasil há apenas três semanas, mas já está otimista. Diz que a China quer aumentar os investimentos no País e elevar as importações de produtos brasileiros. "Qualquer produto que tenha competitividade será bem-vindo na China", disse ele. No ano passado, o Brasil teve um déficit de US$ 13,6 bilhões com o gigante asiático, mas neste ano a situação está mudando. No primeiro bimestre, as exportações brasileiras aumentaram 17% e as importações caíram 16,6%. Diplomata experiente, Xiaoqi conhece bem a América Latina. Foi embaixador em Cuba, no Peru, no Chile e na Bolívia. Ele reconhece que a China está preocupada com a crise mundial, que afetou o comércio global, mas diz que o país está atento e vai focar seus esforços no estímulo ao mercado interno. No caso, 1,3 bilhão de habitantes. Leia a seguir sua entrevista exclusiva à DINHEIRO.

DINHEIRO - Num momento de crise mundial, qual o papel da China?
QIU XIAOQI - A China é, neste momento, a terceira maior economia mundial e sabemos das responsabilidades que isso traz. A nossa maior contribuição, portanto, é manter a estabilidade econômica interna. Qualquer instabilidade vinda da China significaria uma influência muito negativa para o desenvolvimento econômico mundial.

DINHEIRO - E como o governo chinês pretende agir?
XIAOQI - Há algumas semanas, durante a segunda reunião plenária da Assembleia Popular da China, o primeiro-ministro, Wen Jiabao, fez um pronunciamento sobre o papel do governo nos dias atuais. Ele foi bem claro ao detalhar as medidas que a China vem tomando e vai tomar. Trata- se de um plano de quatro pontos. O primeiro é o grande investimento que o governo fará para dar mais estímulo ao desenvolvimento econômico. É um aporte de US$ 585 bilhões. Queremos fortalecer esse investimento governamental como indutor do crescimento interno. Além disso, há uma diretriz para fazer um ajuste e elevar a competitividade de diversos setores econômicos. O terceiro ponto, até mais importante que todos esses, é melhorar o nível de vida do povo chinês. Por último, queremos aumentar o investimento no setor de pesquisa para fortalecer a cagoverpacidade de inovação científica e tecnológica no país. Essa é a base de qualquer avanço social e econômico.

DINHEIRO - O governo pode vir a fazer mais do que isso?
XIAOQI - Esse pacote é válido por dois anos. E, por enquanto, ele basta. A China conta com suficiente munição para qualquer imprevisto. Não se trata apenas de uma cifra, mas de outros recursos para a área social que não foram contabilizadas. É isso que tem contribuído para o crescimento suave, estável e sustentado que a China apresenta nos últimos anos. Somos um país com reservas e uma enorme capacidade de atração de investimentos.

DINHEIRO - Há uma preocupação com o desemprego? Fala-se que o limite para que a China mantenha a estabilidade social é uma expansão de 8%.
XIAOQI - Nosso governo está convencido de que alcançaremos esse crescimento. Nos últimos anos, o resultado da economia chinesa sempre ultrapassou as previsões. Sempre. Em relação à questão do emprego, a China está enfrentando uma pressão muito grande. E é por isso que encaramos como um objetivo maior que qualquer pacote financeiro seja um pacote voltado para a área social.

DINHEIRO - É justamente esse o medo da comunidade internacional: não conseguir manter uma estabilidade social com um crescimento baixo.
XIAOQI - Sim, mas nós não podemos fazer essa suposição. Para alcançarmos isso temos de ter confiança. É uma questão política. E não apenas para a China. Os outros países asiáticos precisam do nosso mercado e da nossa força trabalhando de forma positiva. A expectativa mundial vai ao encontro da nossa. Queremos estimular mais o consumo interno no país porque com essa crise financeira as exportações da China diminuíram bastante. Nossa economia depende muito do setor externo.

ROBERTO CASTRO/AG. ISTOÉ

DINHEIRO - E como é possível para a China crescer sem as exportações?
XIAOQI - Estamos muito conscientes de que qualquer redução das exportações significa uma dificuldade para o crescimento da economia chinesa. Nosso esforço atual é para manter e superar as dificuldades que já surgiram com a redução das exportações. Também queremos estimular o consumo interno. Temos 1,3 bilhão de habitantes. Existe um grande potencial de consumo interno. Antes, esse potencial não estava sendo explorado. Agora, queremos dar mais impulso para que o consumo interno aumente.

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