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A implosão do Leste Europeu
A fronteira econômica da Europa é a região que mais sente a crise e que já prenuncia moratórias

GUSTAVO GANTOIS

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AFP PHOTO/VELKO ANGELOV
PROTESTO DE DESEMPREGADOS NA BULGÁRIA: desocupação já é de dois dígitos na maioria dos países

MISTURE A CRISE QUE devastou o Sudeste Asiático em 1997 com o atual colapso financeiro. O resultado é o dilema em que vivem os países do Leste Europeu. Bola da vez na quebradeira mundial, a região evidencia-se cada dia mais como epicentro da próxima catástrofe que deverá arrasar governos e estremecer as bases da União Europeia. No início do mês, na cúpula extraordinária do bloco, os países-membros da UE vetaram uma ajuda de US$ 230 bilhões pedida pelo governo da Hungria aos afetados pelo descontrole financeiro. Era a derradeira tentativa de evitar o caos que se aproxima da região. Semanas antes da reunião, um relatório da Moody’s chegou ao mercado como uma bomba. Nele, os economistas da instituição afirmavam que o risco de descumprimento de acordos era extremamente alto, trazendo implicações para a zona do euro e dando sinais claros de insolvência em países como Polônia, Letônia, Hungria e República Checa. “Esqueçam os problemas com os Estados Unidos”, vaticina o economista José Eli da Veiga, da USP. “O que virá da Europa será ainda mais perturbador para o cenário econômico mundial.”

Nos países da região, a crise já é sentida nas moedas. Desde agosto do ano passado, o zlotny polonês perdeu 40% de seu valor, o florim húngaro despencou 25% e a coroa checa diminuiu 20%. À DINHEIRO, o economista Nouriel Roubini previu uma onda de calotes no serviço da dívida externa. “O Leste Europeu está seguindo a rota do desastre”, diz ele.

Desde que abandonaram o comunismo, esses países vinham crescendo pela via do comércio – eram bases de produção com mão-de-obra barata. Nos casos da República Checa e da Hungria, as exportações chegavam a representar 80% a 90% do PIB. Como o mercado de destino era essencialmente a zona do euro, principalmente a Alemanha, um dos pilares ruiu. Em segundo lugar, o modelo de desenvolvimento deu-se a partir da transferência de empresas da Europa ocidental para o Leste, como as montadoras Renault e Volkswagen, que hoje estão demitindo. Ao todo, os países da região já devem US$ 1,7 trilhão à banca internacional e muitos economistas apontam que de lá virá a nova versão do subprime internacional.

 


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