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Conexão IBM-Sun
Aquisição da Sun reforça a concentração do mercado de servidores no mundo e dá novo fôlego ao software livre

ROBERTA NAMOUR

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ARTE: TOLLER
Scott McNeally, chairman da Sun
Samuel J. Palmisano, chairman da IBM

NUM LANCE QUE SÓ SE vê no mundo dos negócios, dois adversários de longa data estão prestes a se unir. De um lado, o chairman da Sun Microsystem, Scott McNeally. De outro, o chairman da IBM, Samuel J. Palmisano. As duas companhias até agora não se pronunciaram, mas, de acordo com o Wall Street Journal, a IBM está oferecendo pelo menos US$ 6,5 bilhões, em dinheiro, pela Sun. "Como sempre, eu não comento rumores, não importa quão certos ou absurdos possam parecer", disse McNeally. A IBM também seguiu a mesma linha de silêncio absoluto. O valor em questão pode ficar apagado diante da oferta de compra do Yahoo de US$ 44, 6 bilhões, feita no ano passado pela Microsoft. Seu impacto, porém, será arrasador. Duas arqui- inimigas do mundo da tecnologia estão próximas de um casamento. Caso se concretize, a negociação consolidará a superioridade da gigante da computação em face de seus rivais. Juntas, as companhias detêm quase 70% do mercado global de servidores de alto padrão, que movimenta US$ 25,5 bilhões. Sua hegemonia não ficará restrita apenas ao campo dos servidores. A união da Sun Microsystems com a IBM também pode ser encarada como o apogeu do software livre - forte ameaça contra a Microsoft. "A crise traz a oportunidade de quem está economicamente saudável ganhar market share sem gastar muito", afirma Marco Stefanini, presidente da consultoria Stefanini IT Solutions.

Até então, um clima de hostilidade reinava entre as companhias. A IBM e a Sun competem no mercado de computadores de alto desempenho, para o mercado corporativo. No entanto, tendo em vista a queda no desempenho financeiro da Sun nos últimos anos e o aumento da concorrência com o recente anúncio da entrada da Cisco no setor de servidores, as diferenças foram deixadas de lado. Em novembro, a Sun já havia comunicado seus planos de demitir cerca de 6 mil funcionários no mundo todo, o que equivale a 18% da sua força de trabalho. A empresa, inclusive, saiu à caça de interessados em comprá-la. A princípio, nenhuma companhia se manifestou. Mas a IBM parece ter se visto forçada a voltar atrás. A transação segue uma forte tendência de consolidação do mercado. A HP, por exemplo, pagou US$ 13,9 bilhões no ano passado pela provedora de serviços de tecnologia Electronic Data Systems (EDS). E a Cisco fará sua estreia em servidores em breve.

Uma fusão entre a IBM e a Sun pode trazer benefícios às duas empresas. A Sun ganharia competitividade num mercado cada vez mais concorrido. Já para a IBM, além de ganhar mais escala, seus custos com hardwares cairiam drasticamente. Desde 2005, a Lenovo assumiu o departamento de computadores da IBM. Outra vantagem está na chance de alavancar sua produção de softwares com as novas tecnologias da Sun. "A fusão é muito estratégica. A Sun tem nichos específicos que complementam os serviços da IBM", analisa Stefanini. A companhia de McNeally nasceu apoiada no conceito de software livre e é mãe da linguagem Java - linguagem de programação presente na maioria dos equipamentos eletrônicos existentes. As duas companhias não só apoiam o desenvolvimento do Java como são grandes usuárias do sistema operacional de código aberto Linux - principal rival do Windows, da Microsoft. No ano passado, a Sun reforçou seu comprometimento com plataformas de código aberto ao comprar o MySQL, gerenciador de banco de dados aberto, com acesso pela internet, por US$ 1 bilhão. Além do mais, entre os clientes da Sun estão gigantes das finanças, das telecomunicações e governos - setores em que a IBM tem pouca penetração. A união, no entanto, encontrará forte resistência das autoridades antitruste. Mas, pelo que tem acontecido nos últimos tempos, isso não será um obstáculo para que o negócio saia.

 


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