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Briga de Galos
Às vésperas de um possível casamento, Sadia e Perdigão se engalfinham nos bastidores em torno do preço e do controle. Está voando pena!

LEONARDO ATTUCH E GUSTAVO GANTOIS

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ARTE: EVANDRO RODRIGUES

EMPARELHE DOIS GALOS de briga, de crista alta e com esporas afiadas, no centro de um ringue. Depois, peça para que eles se entendam. Não vai funcionar. Em poucos segundos, eles estarão se bicando e voarão penas para todos os lados. Esses dois galos, Sadia e Perdigão, podem estar prestes a se unir. Caso cheguem a um consenso, criarão uma das maiores empresas de alimentos do mundo – a “Sadigão” ou a “AmBev do frango” – no País com a maior vocação para produzir proteínas e alimentos de forma competitiva. Seria, portanto, uma empresa de porte global, com receitas da ordem de R$ 20 bilhões, e mais de 100 mil funcionários. Uma multinacional verde-amarela de primeira linha. O negócio, cujo desenho foi antecipado há um mês pela DINHEIRO, interessa às empresas e ao Palácio do Planalto. Mas o governo, que tem os instrumentos para fazer o casamento acontecer, ainda acompanha tudo a distância. A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, colocou o BNDES de prontidão para financiar o negócio, desde que as partes se entendam. Sem dar ordens claras numa ou noutra direção, ela deixou os galos soltos e não deu outra: uma rinha sangrenta. A um amigo, o presidente da Sadia, Luiz Fernando Furlan, lamentou que “o que era para ser um jogo ganha-ganha estaria virando um perde-perde”.

RICARDO BENICHIO/VALOR CLAUDIO GATTI/AG. ISTOÉ
Depois de trabalhar duro para ser líder, Nildemar Secches, da Perdigão, não quer dividir o comando da “SADIGÃO” Com credibilidade no Planalto, o ex-ministro Luiz Fernando Furlan espera conquistar o apoio do PRESIDENTE LULA

ADRIANO FERREIRA:
ex-diretor financeiro da Sadia foi o responsável pelas perdas bilionárias da empresa com derivativos

Um sinal de que um entendimento talvez não seja tão simples ocorreu no início da semana. Provocada pela Comissão de Valores Mobiliários, a Sadia divulgou um fato relevante na noite da segunda-feira 16. O diretor de relações com investidores, Welson Teixeira Júnior, disse que a empresa está analisando operações de natureza societária e antecipou que “nesse âmbito inclui-se também a realização de entendimentos recentes com a Perdigão”. Horas depois, Leopoldo Saboya, diretor da Perdigão, reagiu e soltou seu comunicado – desta vez, bem diferente do da Sadia. Taxativo, disse que as partes não chegaram a um entendimento e enfatizou que não haveria “qualquer negociação em curso”. Das duas, uma: alguém mente ou os dois dizem meias-verdades. O resultado desse choque explícito de versões foi a queda no valor das ações das duas empresas. “O melhor, na visão do mercado, é o acordo entre as companhias”, diz Denise Messer, do banco Brascan.

O que trava a venda é o preço. Diferença entre o que a Sadia pede e fundos oferecem ainda é significativa

EM BUSCA DE APOIO:
com anúncios, a Sadia tentou convencer investidores de que sua ação está abaixo de um valor justo

A história real, relatada à DINHEIRO por advogados que participam das negociações, coordenadas pelo Bradesco Banco de Investimentos, revela que há um namoro – mas nada garante que terminará em casamento. No final de janeiro, as duas empresas assinaram um protocolo de intenções que deu à Perdigão, comandada por Nildemar Secches, prioridade num eventual acordo com a Sadia. Mas havia um prazo de 60 dias, que vence agora, no fim de março. Um ingrediente adicional nessa disputa é a divulgação de resultados do quarto trimestre. O balanço da Perdigão sai nesta segunda- feira 23 e o que se espera é um pequeno lucro, de R$ 32 milhões. No caso da Sadia, que adiou a publicação do balanço para a sexta-feira 27, há um clima de grande apreensão. Denise Messer prevê um prejuízo recorde de R$ 2 bilhões, causado por trapalhadas da empresa em operações com derivativos. É essa a média das expectativas do mercado, mas uma reportagem publicada no jornal O Globo, na quartafeira 17, apontou um possível rombo de R$ 6 bilhões. Diretores da Sadia ficaram incomodados e apontaram para os acionistas da Perdigão – em especial, fundos de pensão – como os responsáveis pelo boato. “A situação é bem melhor do que eles imaginam”, disse à DINHEIRO uma fonte próxima à empresa.

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