Sintonia fina na LG A empresa não quer ser apenas inovadora. Agora, sua aposta são produtos de alta performance tecnológica
ROBERTA NAMOUR

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EDUARDO TONI, DIRETOR DE MARKETING: quem apostar alto em inovação, vencerá |
DEMOROU, MAS OS ECOS de uma mensagem propagada pelo presidente global da LG Electronics, no ano passado, acabam de chegar por aqui. O coreano Yong Nam há algum tempo vem catequizando suas 82 subsidiárias a deixar para trás a imagem de uma fabricante pouco inovadora. Não é essa a imagem que tem no Brasil. Nos últimos anos, a LG ficou conhecida no País como uma empresa que cria mercados. Mas agora está apostando em produtos de alta performance tecnológica para encantar um consumidor de alta renda. Apesar de algumas tentativas de conquistar espaço na preferência do consumidor premium brasileiro, a estratégia só se tornou mais agressiva neste ano, em plena crise econômica. A companhia acaba de anunciar, durante o Digital Experience, evento mais importante do ano para a LG no Brasil, sua linha de produtos para 2009. Nela figuram equipamentos como refrigeradores que fazem fotossíntese em alimentos, micro-ondas com forno de pizza embutido e televisores de tela plana com gravação da programação digital.
No Brasil, a LG faturou US$ 2,8 bilhões em 2008 – a meta era chegar aos US$ 3 bilhões
“Esse evento reforça a nossa principal estratégia, que é oferecer ao nosso cliente produtos com tecnologia inteligente, design e estilo, que se integram ao dia a dia das pessoas, com o objetivo de facilitar suas vidas”, disse à DINHEIRO Kyoung Hoon Byun, CEO e presidente da LG Electronics CSA (América do Sul e Central). Este é um momento ideal para a empresa subir mais um degrau rumo ao topo do mercado consumidor. A queda e estagnação dos segmentos em que a fabricante tem melhor desempenho no Brasil – o de celular e o de monitores – reforçaram a aposta em um público que não é atingido pela recessão. “Acreditamos que quem continuar investindo alto em inovação, apesar do cenário desfavorável, vai se destacar mais para a frente”, afirma Eduardo Toni, diretor de marketing da LG no Brasil. De acordo com o grupo de pesquisa Gartner, o mercado de celulares se contrairá 4% neste ano, devido aos estoques acumulados no final do ano passado. A estabilidade só deve retornar em 2010. A IDC também reduziu a expectativa de crescimento para o mercado de PCs brasileiro para 2009. A previsão de aumento nas vendas de produtos de informática caiu de 14,4% para 9%. “A crise é uma nuvem grande, mas que até agora não caiu água. A situação não é tão dramática quanto se imagina”, acredita Celso Previdelli, diretor comercial de produtos de informática da LG.
A grande aposta da fabricante para o ano é a linha branca, na qual tem uma pequena participação de mercado. Mas não é de hoje que a coreana acredita no potencial desse segmento. Foi a LG que introduziu no País o conceito de geladeira side by side. Desta vez, porém, a fabricante não investe na criação de novos mercados para atrair o interesse do consumidor e sim em produtos com alta performance tecnológica. “Visamos o mercado de luxo brasileiro que segue em franca expansão”, explica Toni. Entre os destaques está a linha de máquinas de lavagem e secagem que oferecem tecnologia Nano Silver para esterilizar roupas sem danificar os tecidos e Allergy Foundation, que utiliza spray de vapor para eliminar ácaros. Os produtos chegam ao Brasil por R$ 6.999. “Quando você lança uma tecnologia nova, o preço costuma ser mais elevado”, justifica Toni. “Mas sabemos também que, infelizmente, fazer produtos só para o topo da pirâmide não traz ganho em volume”, acrescenta. De acordo com Gisela Pougy, gerente de negócios da consultoria GfK, equipamentos com maior inovação estão entre os produtos com melhor desempenho nos últimos meses. O mesmo deve acontecer neste ano. “Isso se deve, em parte, pelo fato de serem produtos novos, que vêm ganhando espaço e substituindo outros produtos de tecnologia inferiores”, afirma.

A matriz da LG Electronics anunciou recentemente, que, por causa da crise econômica mundial, pretende reduzir custos de produção em 3 trilhões de wones (o equivalente a US$ 2,2 bilhões). A empresa sul-coreana informou que deve cortar despesas relacionadas à produção tanto na sede, na Coreia do Sul, quanto nas subsidiárias. No entanto, investimentos em pesquisa e desenvolvimento, marketing e design devem ser mantidos. O faturamento global da empresa em 2008 foi de US$ 46,3 bilhões. No Brasil, o valor foi de US$ 2,8 bilhões – receita abaixo dos US$ 3 bilhões esperados no início do ano. “Em qualquer cenário, a LG vai continuar investindo alto no País”, garante Toni. O diretor de marketing afirma que, para a matriz, o Brasil já é uma realidade e não um País emergente. “O Brasil é um dos principais países em termos de market share para a LG e vamos continuar a trazer para cá o que há de melhor em tecnologia.” |