O FUTURO DA ENERGIA
Tanque cheio de Etanol Biocombustível ganha importância na queda-debraço contra a dependência do petróleo e coloca o Brasil à frente dessa tecnologia
Por Roberta Namour

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Com uma produção de 1,2 bilhão de litros, o Brasil é o terceiro produtor de etanol do mundo |
DESDE QUE OS BIOCOMBUSTÍVEIS despontaram como fortes candidatos para diminuir a dependência do petróleo, o Brasil se destacou como um dos líderes dessa tecnologia. Tanto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a apostar que a produção de biocombustíveis colocaria o Brasil no G8 - seleto grupo dos países ricos. Com uma produção de 1,2 bilhão de litros de biodiesel em 2008, o Brasil se tornou o terceiro produtor e consumidor do produto no mundo, ficando atrás apenas da Alemanha e dos Estados Unidos. Mas tudo indica que o País poderá assumir a dianteira em poucos anos. Isso porque, diferentemente dos EUA e da Europa, o Brasil possui espaço suficiente para aumentar a produção. Mas o reconhecimento do biocombustível como substituto do petróleo enfrenta resistências. Apesar das vantagens da produção do álcool de cana brasileiro, o governo Bush estabeleceu um forte protecionismo para a produção americana de álcool de milho. O boicote ao etanol brasileiro, porém, parece estar perto do fim. Nesta semana, o presidente Lula se encontrará com Barack Obama. Uma parceria com o Brasil na produção de biodiesel está entre as prioridades a serem discutidas. (leia matéria sobre o assunto na pág. 32). A reação de Bush ao biodiesel brasileiro não foi a primeira pressão enfrentada pelo País. O produto foi apontado pela ONU como o grande culpado pela inflação nos preços dos alimentos, no período anterior à crise que estourou em setembro. Para o professor da Unicamp, Luís Cortez, o motivo de tantas críticas é político. "O uso de biocombustíveis incomoda porque isso significou, na prática, que os países desenvolvidos continuarão dependendo das nações emergentes", diz.
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Atualmente existem diversos meios de produção do etanol. Ele pode ser proveniente de matériasprimas agrícolas que contenham açúcar, como cana, beterraba e sorgo, ou amido, como milho, mandioca e batata. Materiais ligno-celulósicos, como madeira e resíduos agrícolas - bagaço e palha de cana - são igualmente usados. Culturas como a do pinhão manso e a do girassol também têm potencial na produção de biocombustíveis, mas ainda não existe uma base sólida de dados e experiência agronômica em larga escala para se recomendar seu uso. No mundo, a quase totalidade do etanol é feita a partir do milho, pelos EUA, cana-de-açúcar, pelo Brasil, e beterraba e cereais, pela Europa. No Brasil, a cultura da cana está em grande parte concentrada na região Centro-Sul, pelo clima e pela qualidade do solo. Mas as terras mais abundantes para o cultivo de culturas energéticas estão no cerrado. "Numa diagonal que vai do Mato Grosso do Sul ao Sul do Maranhão e do Piauí existem mais de 200 milhões de hectares aptos a esse tipo de cultura energética. O grande problema é a falta de chuva", conta Cortez. Num recente estudo coordenado pelo Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético, com a colaboração do Centro de Tecnologia Canavieira, foram identificadas grandes regiões para o cultivo da cana no Brasil, sem causar impacto na produção de alimentos ou em regiões de preservação. O estudo concluiu que, com cerca de 30 milhões de hectares adicionais, o Brasil pode produzir mais de 200 bilhões de litros de etanol. Isso ajudaria a substituir 10% da demanda mundial de gasolina em 2025, criando mais de 10 milhões de novos empregos no País.
A capacidade de produção do combustível no Brasil é de 3,7 bilhões de litros, mas só produziu 1,2 bilhão de litros em 2008. A diferença será absorvida devido à adição de 3% de biodiesel ao diesel, imposta pelo Ministério de Minas e Energia. O governo estuda ainda antecipar de 2013 para 2010 o aumento para 5%. "O Brasil carece de investimentos em pesquisas e maior agressividade do governo e dos empresários para construir um mercado internacional de biocombustíveis", afirma Cortez. Na última semana a Petrobras Biocombustível informou que irá investir US$ 2,4 bilhões no segmento de produção de biodiesel e etanol para o período de 2009-2013 - aumento de 87% em relação ao plano anterior.
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