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O FUTURO DA ENERGIA
Antiga, mas atual
Mesmo sob críticas, as fontes de energia tradicionais, como a hidrelétrica, a nuclear e o petróleo, continuam recebendo investimentos bilionários. O motivo? Nenhuma outra tem a viabilidade econômica delas

Por Adriana Mattos, Gustavo Gantois e José Sergio Osse

ARTE: EVANDRO RODRIGUES
Sem pressa: boas expectativas de retorno futuro ainda atraem investimentos em matrizes energéticas tradicionais, como petróleo

NOS ÚLTIMOS ANOS, A busca por fontes de energia sustentáveis tem jogado luzes sobre matrizes alternativas, como biocombustíveis. Mas até agora essas novidades ainda não ganharam escala suficiente para que a sociedade substitua a geração hidrelétrica ou nuclear e abandone o uso do petróleo. Duramente criticadas pelo potencial de poluição ou pelos riscos de acidentes, as fontes de energia tradicionais continuam atuais como nunca e recebem doses maciças de investimento no Brasil e no mundo. Isso porque o resultado da equação financeira dessas modalidades continua sendo altamente favorável. Os custos dos carros elétricos, por exemplo, ainda são muito superiores aos dos veículos movidos a gasolina. Assim, dificilmente se verá, a curto ou médio prazo, uma profunda mutação na matriz energética no Brasil, o que explica a manutenção do foco na energia hidrelétrica e no petróleo e o ressurgimento dos projetos nucleares por aqui.

OURO NEGRO SEM BRILHO

Com a menor cotação em mais de cinco anos, quando alcançou US$ 32 em fevereiro, o petróleo começa a causar furor inverso ao registrado antes da crise financeira mundial. A retomada do crescimento da demanda parece distante e a retração nas principais economias mundiais impede a recuperação do preço e força as grandes empresas do setor a rever suas projeções de investimento. Para completar o quadro de incerteza, nunca houve tanta oferta de matrizes energéticas alternativas quanto agora. Etanol, biodiesel, motores elétricos.

A gama é crescente, mas ainda assim nenhuma mostrou ser capaz de desbancar o vício do óleo bruto. "Ainda vai levar um tempo para que o mundo corte o cordão umbilical", avalia Walter de Vitto, analista de petróleo da consultoria Tendências. Por isso, o impacto da crise não chegou com força total aos projetos das petrolíferas. "Elas não estão desacelerando seus investimentos no mesmo ritmo que a recessão mundial porque sabem que dias melhores virão e elas precisam estar preparadas para a retomada da demanda", analisa Leonardo Caio, coordenador do curso de pós-graduação de negócios de petróleo da Fundação Instituto de Administração.

Plano de investimento da estatal Petrobras chega a US$ 174 bilhões até o ano de 2013

Observe-se o caso do Brasil. Ainda que o atual patamar, entre US$ 35 e US$ 45, não remunere totalmente os investimentos necessários, a Petrobras não repassou a queda de preço ao consumidor - o que faz com que o caixa da empresa mantenha-se intacto e garante a manutenção do plano de investimento de US$ 174 bilhões até 2013. Esse dinheiro é cada vez mais sagrado, principalmente porque vai viabilizar a exploração do petróleo na camada do pré-sal. A maioria dos analistas acredita que, no segundo semestre, a cotação do barril volte a girar em torno de US$ 70 e US$ 80, fazendo com que o retorno financeiro da extração de óleo nessa camada se torne mais atraente.

Mas, por enquanto, as notícias não causam muito entusiasmo para a indústria de petróleo. Em relatório divulgado no mês passado, a AIE (Agência Internacional de Energia) reduziu pela sexta vez consecutiva sua projeção de demanda mundial. O recuo é de um milhão de barris por dia - a maior retração desde 1982 -, estimando um consumo diário de 84,7 milhões de barris. O principal fator é o desaquecimento da economia norte-americana, maior consumidor de petróleo, com uma demanda de 25% da produção mundial.

"Eles não se importavam com o preço da gasolina, por exemplo", afirma Lucas Bendler, analista de petróleo da corretora Geração Futuro. "Hoje, isso tem um peso para as famílias que estão repensando hábitos de consumo, como a troca de carros grandes por modelos econômicos."

A NECESSIDADE DE UM CHOQUE

Osetor de energia elétrica no Brasil corre atrás do tempo. Primeiro, porque o risco de apagões continua presente. Só com um choque de investimentos maciços essa nuvem deixará de pairar sobre a economia brasileira. Segundo, em 2015 vão expirar as concessões de 18 usinas geradoras, 37 distribuidoras e 73 mil quilômetros de linhas de transmissão. Pelas regras, elas não poderão ser renovadas. Logo, grande parte dos ativos pertencentes às empresas estatais deverá ser licitada. Na avaliação do Ministério de Minas e Energia, as novas licitações resultarão em tarifas mais baixas aos consumidores.

Isso porque a ideia é trabalhar com tarifas máximas abaixo das praticadas atualmente, segundo Márcio Zimmermann, secretário-executivo do ministério. Com isso, o mapa energético do País deverá mudar significativamente nos próximos anos. Investimentos em novas usinas também estão na pauta do governo e das empresas. As estimativas de aportes em energia elétrica no Brasil chegam a R$ 140 bilhões entre 2009 e 2012, segundo cálculos feitos pelo BNDES. Em relação aos valores já aprovados, o setor de energia elétrica soma R$ 17 bilhões em projetos. Isso aumentará o potencial energético do País em pouco mais de 10%. Em 2008, foram liberados R$ 8,6 bilhões.

Os aportes previstos em energia elétrica no País atingem R$ 140 bilhões de 2009 a 2012

"Para 2009, o cenário é de expansão. Estão sendo realizados investimentos maciços em PCHs, em transmissão e em distribuição", afirmou recentemente Luciano Coutinho, presidente do BNDES. Pelo menos dois projetos gigantescos nessa área começaram a sair do papel no ano passado: as usinas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira.

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