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O FUTURO DA ENERGIA
A força que vem do Sol
O alto custo da energia solar impede sua popularização, mas a estimativa é de que em 2025 ela movimente US$ 113,8 bilhões

Por Tatiana Vaz

ARTE: TOLLER
Placas solares, nos EUA: pesquisadores do mundo todo estudam maneiras de tornar o preço de produção da energia solar mais acessível

EM 2025, A ENERGIA SOLAR DOMInará 2,5% do mercado mundial de geração. Até lá, essa modalidade movimentará US$ 113,8 bilhões - atualmente o valor está na casa dos US$ 30 bilhões. Essas são as previsões de um relatório recente publicado pelo Greenpeace. Segundo o estudo, a radiação que o Sol emana à superfície da Terra é dez mil vezes maior do que as necessidades humanas de energia. Isso explica por que países europeus, como a Alemanha, e o Japão estão adotando a energia solar como uma alternativa aos combustíveis fósseis. Baseado no uso de um recurso natural renovável, o sistema causa impacto ambiental mínimo e, uma vez instalado, pode durar até 30 anos. Parece perfeito, não? Mas para popularizar essa fonte é necessário resolver uma questão prática, ou melhor, econômica: os altos custos de produção. O preço médio do watt gerado a partir da energia solar fica entre US$ 4 e US$ 5, cerca de cinco vezes mais do que o watt proveniente de um sistema hidrelétrico. Isso explica por que, num país onde o sol brilha intensamente na maior parte do ano, a energia solar ainda continua sendo uma modalidade marginal na matriz energética. No Brasil, o valor desse tipo de tecnologia também é alto devido à importação do semicondutor de silício, o coração das placas de captação da luz solar, chamado de módulo fotovoltaico.

No Brasil, não há produção em série de módulos fotovoltaicos. Isso por pouco tempo, se depender do casal de pesquisadores gaúchos Adriano Moehlecke e Izete Zanesco. Desde 2004, os dois coordenam o desenvolvimento de uma planta piloto no Centro Brasileiro de Energia Solar, em Porto Alegre. O projeto já recebeu um aporte de R$ 6 milhões. O dinheiro veio de concessionárias de energia e da Financiadora de Estudos e Projetos, Finep, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. "Temos duas tecnologias prontas, uma delas mais barata do que a vendida no Exterior. Agora buscamos companhias interessadas em comercializálas", afirma Moehlecke. Entusiasmado com o projeto, ele estima que até 2012 a energia solar no Brasil custe o mesmo que a elétrica.

ARTE: TOLLER

Por enquanto, a tecnologia no País é usada apenas em lugares onde nenhuma rede elétrica de distribuição consegue chegar. Geralmente são pequenos vilarejos distantes, com recursos escassos de infraestrutura. Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, existem cerca de dez milhões de brasileiros vivendo em localidades sem energia elétrica, a maioria no Amazonas e no Centro-Oeste. "Nesses locais, o uso do sistema fotovoltaico se mostra mais econômico do que a extensão da rede convencional", afirma Roberto Zilles, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP. Em parceria com o governo federal, os projetos do instituto já levaram luz para 50 residências de ribeirinhos no Amazonas.

20 megawatts de energia são gerados por sistemas fotovoltaicos no Brasil atualmente

ARTE: TOLLER

"Mostramos como fazer, testamos as soluções, melhoramos as etapas e as empresas privadas muitas vezes assumem a gestão do projeto", explica Zilles. Outras universidades públicas estão empenhadas em difundir o uso de energia solar até em capitais. Um exemplo é o conjunto de 800 prédios com sistema de aquecimento solar central na cidade de Belo Horizonte. A iniciativa da instalação partiu da Universidade do Estado de Minas Gerais e da Companhia Energética de Minas Gerais, Cemig. "No Brasil, há 20 megawatts instalados em sistema fotovoltaico. Temos capacidade para muito mais", diz Zilles. Outro obstáculo é a ausência de uma política nacional para o desenvolvimento da energia solar. Por isso, essa modalidade vive de ações isoladas de governos municipais e entidades. A Prefeitura da cidade de São Paulo, por exemplo, regulamentou há mais de um ano a lei que obriga o uso de aquecedores solares em novas residências com quatro banheiros ou mais e estabelecimentos comerciais que fazem uso intensivo de água quente. As edificações que não estiverem dentro das determinações da lei são penalizadas. Outro caso é o do projeto desenvolvido, desde janeiro de 1999, pela ONG Sociedade do Sol, no Cietec - Centro Incubador de Empresas Tecnológicas, da USP. Ele viabiliza a implantação de um aquecedor solar de água gratuito, de 200 a mil litros, nas residências dos paulistanos que solicitarem o sistema.

 


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